Crítica: Namorados Para Sempre

09 de junho por Pedro Tavares | 7 comentários

Na lista de longas que analisam relações amorosas, Namorados Para Sempre é um filme intrínseco. De aura indie – fora o baixo orçamento, lá estão as raras inserções de trilha sonora não justificada e a narrativa intensamente calçada em conflitos -, a obra de Derek Cianfrance aborda o início e o fim de uma relação com a mesma ambiguidade do estado de espírito de seus protagonistas.

O incômodo é presente nas duas esferas; de lares cercados por traumas, Dean (Ryan Gosling) e Cindy (Michelle Williams) são personagens tão fortes quanto a unidade. Ambos se assumem como vítimas do desamparo em todos os sentidos nos dois extremos do filme – daí a linearidade da narrativa. Tais características realçam o sacrifício de ambos para construir uma relação bem sucedida. Os momentos de afeto marcam a sensibilidade nas articulações do filme – o lado lúdico da conquista amorosa é ilustrado de forma tão convincente que colide com a melancolia intensa do texto.

Namorados Para Sempre destroça a brusca mudança de comportamento em momentos de rotina e crise, rendendo a cena mais tocante do filme – quando Dean tenta resgatar o sentimento esmagado pelo tempo. Cianfrance vai ao âmago do desgosto brutal de se ter promessas quebradas, no fácil desmoronamento de um mundo que fora construído com lágrimas e sangue e o apoio de entorpecentes para se dizer satisfeito.



NAMORADOS PARA SEMPRE (Blue Valentine, EUA, 2010) Direção: Derek Cianfrance Roteiro: Derek Cianfrance, Cami Delavigne, Joey Curtis Elenco: Ryan Gosling, Michelle Williams, Faith Wladyka, Eileen Rosen Duração: 112 min Distribuição: Paris Filmes

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7 comments

  1. ótimo filme para ver sozinha no dia dos namorados por sinal…hahahaha

    • cinemaorama

      A estratégia de marketing só combina com a tradução tosca do título do filme. E nada mais!

  2. natalialx

    Otimo Pedro! Achei esse filme sensacional e os personagens excelentes. Gosling interpreta de uma forma que com o personagem chama atenção da gnt logo de cara. Achei perfeito os dois pólos em que o diretor trabalha ao mesmo tempo intercalando entre passado e presente, e usando das cores, cameras e da capacidade de ambos protagonistas pra reforçar o antagonismo que o tempo fez com o casal.

    Eu tenho uma teoria que acaba considerando o titulo nacional nao tao tosco, apesar de que com certeza foi sem querer da parte da distribuição nacional, rs. Mas pra mim, é como se eles foram namorados para sempre, enquanto namorados, hahahahaha

    bjs

    • cinemaorama

      Sua teoria está certa, Natalia! Isso é subentendido mesmo. Convenhamos, a intenção é vender como um "romance" – ainda mais lançando no fim de semana dos namorados. Acho a cena do quarto futurista belíssima. Singela e forte como um soco na cara. Beijo!

  3. Gustavo H.R.

    Deve ser um ótimo programa para quem aprecia bons atores em papéis exigentes e densos.

  4. Excelente artigo, todo poster que leio aprendo um pouco sobre Marketing Multinivel, um dia acho que chego a guru rsrsrrs.

  5. excelente artigo, se aprende muita coisa com conteúdos assim. to quase professor… rsrrs

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