Crítica: Mamonas pra Sempre
Produzido durante o processo de pesquisa para o filme de ficção dos Mamonas Assassinas (ainda sem previsão de estreia), Mamonas pra Sempre confunde o âmago do modelo documental com reportagem televisiva – criando, assim, uma espécie de versão prolongada de um especial de TV sem qualquer refinamento estético.
O longa dirigido por Cláudio Khan oferece poucas informações sobre a banda que fujam do conhecimento do público. Sem se prender a sensacionalismos sugeridos pelo trágico fim do grupo, Khan analisa o sucesso de Dinho, Samuel, Sérgio, Bento e Júlio pelos olhos do mercado: produtores, empresários, a luta pela audiência entre Globo e SBT a cada aparição do grupo e os milhões de discos vendidos em poucos meses. Tudo isso para entronizar o trabalho de anos antes, quando a banda se chamava Utopia.
O garimpo de imagens do arquivo pessoal das famílias ilustra a tão citada espera pela fama. Com elas, estão registradas as viagens do grupo já consagrado pelo Brasil, onde a alegria de ter um sonho realizado parecia interminável, montadas de forma que esqueçamos o que viria a acontecer.
As curiosidades sobre o grupo ficam por conta dos pouquíssimos depoentes (a família de Bento, por exemplo, está ausente e o restante dos integrantes é representado por um familiar apenas – com exceção de Dinho, que tem ambições reveladas pelos pais e a insegurança pela ex-namorada, Valeria Zopello). Rick Bonadio, produtor e um dos empresários do grupo, é o menos burocrático para contar sua história ao lado dos Mamonas.
A escassez de pontos de vista impede que o filme se torne uma avassaladora experiência de conhecimento e envolvimento com a banda. Este, junto ao desleixo com a estética, é o grande tropeço do longa. Dadas as circunstâncias em que ele foi feito, é compreensível. Porém, Khan soube como celebrá-los como fenômeno musical. E é assim que nos lembramos deles, não é mesmo?
MAMONAS PRA SEMPRE (Idem, Brasil, 2009) Direção: Claudio Khan Roteiro: Claudio Khan Elenco: N/D Duração: 82 min Distribuição: Europa Filmes
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