Crítica: Bruna Surfistinha

15 de junho por Pedro Tavares | 5 comentários

A estreia de Marcus Baldini como diretor de cinema o coloca como mediador de uma problemática do cinema nacional: Bruna Surfistinha parece ser um catalisador de saídas e soluções para um conceito moldado no início da década passada. Porém, o filme de Baldini vai até onde pode. Flerta algumas vezes com o lírico – quando seu texto o permite -, mas por boa parte de sua narrativa, procura, na verdade, é ser o mais direto possível sem adotar conceitos estilísticos ou institucionalizar personagens e a própria vida de Bruna, garota de classe média alta que sai de casa por conta do desgaste na relação com seus pais e com seu irmão.

A impressão é que existe pressa para compactar todas as informações do livro em que o filme foi baseado. Para aprofundar em qualquer assunto além do queda-ascensão-queda da vida profissional de Bruna, precisaria de muito mais tempo que talvez deixasse tal ritmo narrativo irregular. Bruna Surfistinha carrega em seu desenvolvimento – realçado pela entrega de Deborah Secco – algo que pouco há no cinema nacional quando o assunto é mercado: a necessidade de abordar um tema e desenvolvê-lo sem pretensiosismos técnicos ou subestimar sua platéia. Não coloca a possível delicadeza do assunto como fonte de sensacionalismo ou conservadorismo, apenas como reconstituição dramática de fatos. Convenhamos, por mais óbvio que pareça, é comum que idéias como essa se esmaeçam em visões maiores que a obra.

E por manter-se linear em senso, ritmo e análise, o longa dilui silenciosamente formas e critérios de desenvolvimento de arte como entretenimento, como a protagonista diz em total licença poética em algum momento do filme. Seja intencional ou por puro acidente, a verdade é que Bruna Surfistinha é um filme que cativa os requisitos da cartilha comercial sem tornar-se pedante.



BRUNA SURFISTINHA (Idem, Brasil, 2011) Direção: Marcus Baldini Roteiro: José de Carvalho, Homero Olivetto, Antônia Pellegrino Elenco: Deborah Secco, Drica Moraes, Cássio Gabus Mendes, Cristina Lago Duração: 110 min Distribuição: Imagem Filmes

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5 comments

  1. Assisti esse filme ontem e achei extremamente fraco. E a trilha me irritou bastante, não achei legal as cenas com as músicas indies… fugiu de casa e toca creep de fundo? Forçaram muito!

    • cinemaorama

      Luci, é verdade. Mas isso tem se tornado uma rotina, não é? Mas não tiro os méritos do filme por isso.

  2. Um filme facilmente esquecível.
    Ah! Estou concorrendo a ingressar na Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos. Dê uma visitada no meu blog e se achar bacana (conteúdo e layout)… Quero vir a somar.
    Abraço.
    =]

  3. Esperava algo pior, mas concordo com seu texto. O filme é até correto, com alguns deslizes como o personagem clichê de Cássio Gabus Mendes e por não mostrar a violência que ronde o meio da prostituição.

    A atuação de Deborah Secco é corajosa, participando de cenas que poucas atrizes famosas aceitariam.

    Abraço

    • cinemaorama

      Acho que a lapidação do personagem do Cássio é clichê mesmo. Porém, ele existiu, segundo a verdadeira Bruna. Abs!

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