Crítica: Bravura Indômita

21 de junho por Pedro Tavares | 2 comentários

Bom, vamos à inevitável comparação: a versão dos Coen é melhor que a original, dirigida por Henry Hathaway em 1969. Mas por pouco. A nova adaptação de Bravura Indômita se arredia do público fazendo o caminho inverso de Hathaway, que optou pela ação ao invés dos diálogos e analisava superficialmente seus personagens.

Os irmãos Coen vão além: diálogos redondos e cenas adicionais reforçam a personalidade de cada personagem através de planos sempre fechados, além de desconstruir a essência de cada um deles, dando nova forma ao texto. O ritmo é mais condensado, lento, calhando bem com a estética sombria e a escolha de se basear muito mais no âmago da busca por vingança do que pelo ato em si.

Por outro lado, a opção de se distanciar de um western raso pontuado por sequências de tiroteio como o seu original, o filme dos Coen mantém tal dependência mesmo com a nova leitura. Tal irregularidade tira forças do filme, que se arrasta em seu epílogo. Talvez por alimentar esta percepção, os Coen alteram radicalmente esta parte do filme e repetindo em maior escala o que já vinham fazendo durante toda narrativa. Como processo criativo, Bravura Indômita mostra diretores em total excelência com o trabalho, que buscam inovar em todos os aspectos, principalmente de sua interpretação, porém, dispensa empatia por ser exageradamente anticlimático.


BRAVURA INDÔMITA (True Grit, EUA, 2010) Direção: Joel e Ethan Coen Roteiro: Joel e Ethan Coen Elenco: Jeff Bridges, Hailee Steinfeld, Matt Damon, Josh Brolin Duração: 110 min Distriuição: Paramount Pictures

Posts relacionados:

Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é Outro
127 Horas
Crítica: 50%

Tags: ,

2 comments

  1. Elton Telles

    Ótima síntese do novo dos Coen. Era um dos filmes que mais aguardava e não tem essa de 'altas expectativas', o filme é mesmo decepcionante. Está em sua essência rs.
    O original é pedante e tem mesmo mais senso de aventura, mas os Coen analisam friamente, e adotam uma direção convencional que contraria o talento de ambos e fazem um faroeste que ressucita os elementos do gênero clássico, mas pecam pela lentidão, que não incrementa quase nada de orgânico ao filme.

    uma pena.
    farei uma crítica em breve para estender minha opiniao.

    abraço!

  2. Pedro Tavares

    Elton, muito obrigado! Tive a mesma impressão, talvez não tão radical quanto a sua, mas acho que seguimos o mesmo raciocínio na análise.

Leave a comment


Copyright © 2011 Cinema O Rama

Tema desenvolvido por João Ximenes - Powered by Wordpress

Assine o RSS