Crítica: Uma Mulher, Uma Arma e Uma Loja de Macarrão
Baseado em Gosto de Sangue de Joel e Ethan Coen, Uma Mulher, Uma Arma e Uma Loja de Macarrão é a transposição de referências ao longa de 1984 para o universo de Zhang Yimou em uma China de época.
Sob o contraste imagético da escuridão do longa dos Coen e a indecisão de Yimou em adotar cores ou acinzentar de vez a tela, o texto é irregular e dicotômico; abraçar, no lugar do humor negro – provavelmente a grande força do filme original ao lado da construção dos personagens –, o pastelão causa um choque difícil de ser recuperado. Quando o filme parece se firmar neste raciocínio, Yimou se distância da trama, escolhendo o silêncio como engrenagem narrativa.
Folclórico, o exercício plástico de Yimou dá margem a personagens vazios que não sustentam a história. Em planos abertos e com frequente uso de grua e planos-sequência, Uma Mulher, Uma Arma e Uma Loja de Macarrão é anti-climático e contemplativo, dispensando toda força narrativa presente em sua referência.
UMA MULHER, UMA ARMA E UMA LOJA DE MACARRÃO (San qiang pai an jing qi, China, 2009) Direção: Zhang Yimou Roteiro: Jianquan Shi, Jing Shang Elenco: Honglei Sun, Ni Yan, Ye Cheng, Xiao Shen-Yang Duração: 95 min Distribuição: Sony Pictures
Posts relacionados:
Tags: Crítica, DVD, Festival do Rio 2010, Mostra de São Paulo 2010




