Crítica: Um Lugar Qualquer

24 de maio por Pedro Tavares | 12 comentários

Imagine uma tela branca. Imaginou? Ok. Agora imagine Sofia Coppola, com um pincel e tinta, fazendo vários traços coloridos e aleatórios pela tela. No espaço em branco, ela resolve contar a história de um ator em decadência emocional e ascensão profissional, que tem sua rotina autodestrutiva interrompida pela presença da filha de onze anos. Poderíamos batizar esta obra de Hollywood ou Fazendo um Filme com os Amigos (só assim pra justificar o prêmio em Veneza), mas a diretora preferiu batizá-lo de Um Lugar Qualquer.

Coppola acerta bem no alvo. Sabe exatamente com quem ela cria diálogos. Com um público que se agradará ao assistir a versão italiana de Friends, ouvir um remix lounge de uma canção superestimada dos Strokes ou até mesmo invejar a camiseta da Sub Pop do protagonista. Um nicho específico,  que claramente divide do mesmo gosto e personalidade que os amigos da diretora. Um Lugar Qualquer é um esboço de história, talvez para fazer o paralelo com o vazio que a classe vive na rotina entre regalias e obrigações profissionais.

O uso da câmera estática com lentos movimentos de zoom reforça tal idéia, que é coroada pelo silêncio do protagonista Johnny Marco (vivido por Stephen Dorff). O choque interior com a mudança da rotina e da forma de se enxergar o mundo calham numa sutileza maior que a diretora procurou por todo seu filme. Consegue emocionar. Por acidente, mas consegue.


UM LUGAR QUALQUER (Somewhere, EUA, 2010) Direção: Sofia Coppola Roteiro: Sofia Coppola Elenco: Stephen Dorff, Elle Fanning, Chris Pontius, Robert Schwartzman Duração: 98 min Distribuição: Universal

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12 comments

  1. O filme me decepcionou um pouco, achei chato em muitos momentos, mas tem alguns méritos graças à trilha sonora e a atuação da Elle Fanning. È um filme vazio, que nem a rotina do Johnny Marco.

  2. Eu realmente espero um grande filme por parte da Coppola!

  3. Otávio Almeida

    Brilhante teu comentário sobre o filme da Coppolinha. Ainda não vi o filme, mas espero isso aí, afinal conheço seus filmes. Entendi exatamente o que você quis dizer neste texto.

    Abs!

    • cinemaorama

      Otavio, muito obrigado. Espero que consiga ver o mesmo quando o filme entrar em cartaz.

      Kamila…sério? hehehe

  4. Pelo texto, pensava que você iria dar uma cotação melhor ao filme da Sofia Coppola!

  5. acho q é a palavra q melhor descreve 'somewhere' é "vazio"

    protagonista vazio, conceito vazio, fotografia vazia com movimentos de câmera q levam de nada a lugar algum como vc muito bem observou.

    mais uma vez sofia tenta empurrar um filme q podia muito bem ser apenas um ensaio fotográfico para a revista vogue.

    o filme será superestimado como a canção dos despretensiosos strokes (espero q de pra sentir a ironia do adjetivo)

    mas ainda o q mais me impressiona é a falta de senso crítico, não sei c é uma implicância pessoal mas não da mais para engolir essas historinhas 'poor little rich girl/boy'

    • cinemaorama

      fran, concordo com você totalmente. não gosto dos outros filmes da sofia coppola. por acaso este foi o que mais me agradou, por um acidente (você que viu o filme sabe o pq deste acidente). espero que as pessoas comecem a dar atenção para outros novos diretores como o nicolas winding refn, por exemplo.

  6. Nem me arriscarei a ver. Conversando com meu amigo agora, senti que a Srta Coppola, tentou contagiar a platéia com a atmosfera tediosa do filme e em vez de surpreender, conseguiu muitos olhos fechados e bocas abertas… de sono…

  7. Como adoro traços coloridos e aleatórios, devo acabar gostando. E é sempre melhor quando a emoção é acidental…

    • cinemaorama

      Depende muito do contexto da coisa, Wally. 'Um Lugar Qualquer' não se sustenta por tamanha pretensão

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