Crítica: Reencontrando a Felicidade

05 de maio por Pedro Tavares | 3 comentários

Rabbit Hole (título original do filme) é o termo utilizado para o uso de drogas ou para o túnel que levava Alice para um universo paralelo em Alice no País das Maravilhas. A metáfora usada por John Cameron Mitchell no filme adaptado da peça teatral de David Lindsay-Abaire é a da dimensão da dor.

Mergulhando no martírio emocional de um casal após a perda do filho, Mitchell vai, gradualmente, construindo a ambígua relação de Becca (Nicole Kidman em sua melhor atuação em anos) com o luto. Ela representa a ausência em todos os sentidos, gerando cenas memoráveis, onde o incômodo é pulgente. Com a recusa de enfrentar a dor, Becca suga o pessimismo e o transforma em conforto e egoísmo, vivendo em outra realidade confrontada por elementos externos: a gravidez da irmã, a precoce morte do irmão.

Howie (Aaron Eckhart em ótimo momento) representa a maior engrenagem da narrativa; Fora do Rabbit Hole, ele é resignado a passar pela dicotômica situação de tirar sua mulher desta imersão e o inevitável sofrimento pela ausência do filho. As cenas mais intensas estão nos conflitos indiretos do casal. As explosões são previsíveis, mas Mitchell sabiamente coloca o silêncio ou diálogos torpes como demonstração de insatisfação por parte de Howie, que também procura outras maneiras de descarregar – principalmente quando o tormento ganha personificação.

O título em português vem do reflexo natural de lutar e seguir em frente. Porém, o que o filme explora intensamente é o desconforto gerado por uma situação extrema e a relação de quem está próximo de um casal em luto em situações cotidianas.


REENCONTRANDO A FELICIDADE (Rabbit Hole, EUA, 2010) Direção: John Cameron Mitchell Roteiro: David Lindsay-Abaire Elenco: Nicole Kidman, Aaron Eckhart, Sandra Oh, Miles Teller Duração: 91 min Distribuição: Paris Filmes

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3 comments

  1. Gustavo H.R.

    Deve ser um filme que permite seus atores explorarem bem seus personagens. Desejo assistir e ver Kidman, Wiest, etc.

  2. Já assisti esse filme e é extremamente parado… A história é muito boa, mas a abordagem é paradíssima! Um pouquinho de paciência pra assisti-lo.

  3. cinemaorama

    Oi Priscyla, creio que a ação maior do filme está no âmago dos personagens. E ele se resolve bem e ligeiro, dada sua curta duração, apenas 91 minutos…volte sempre!

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