Crítica: O Vencedor
O fato de O Vencedor ser baseado em uma história verídica não o tira de um conceito. O velho conto da superação, unido ao indigesto olhar direitista maquiado pela dupla nacionalidade de Micky é o elemento que impulsiona a narrativa. Como Rocky – Um Lutador fez na segunda metade dos anos 70, O Vencedor exige as mesmas motivações do espectador, mas desta vez sem a sinceridade da obra de baixo orçamento que consagrou Sylvester Stallone.
David O. Russel dá dinâmica à história de uma família em cacos que depende financeiramente de Micky (Mark Wahlberg, boxer que vê sua carreira em queda prematura) e Dicky (Christian Bale, ex-boxeador e entregue às drogas) através de conflitos densos. A contemporaneidade e a forma com que o diretor aborda assuntos delicados são virtudes do roteiro, realçados e sustentados por atuações primorosas de Bale, Melissa Leo e Amy Adams. Sem subtramas, limitado sempre à geografia das cenas e a um só núcleo, O. Russel destroça o efeito causa-consequência nas diversas esferas que cercam Micky.
O clímax, obviamente passado dentro de um ringue, parece truncado, forçado demais. Sua existência é questionada dentro da diegese. O desleixo com sua decupagem é perceptível e não enfrenta a onisciência e pulgência da relação conturbada dos personagens. Por outro lado, a sequência é a epítome do que o cinema americano sempre pregou e vai de encontro com o caminho tortuoso que o diretor criou para imprimir a realidade de um país nem tão perfeito assim.
O VENCEDOR (The Fighter, EUA, 2010) Direção: David O. Russel Roteiro: Scott Silver, Paul Tamasy, Eric Johnson Elenco: Mark Wahlberg, Christian Bale, Melissa Leo, Amy Adams Duração:Distribuição: Imagem Filmes 115 min
Posts relacionados:
Tags: Crítica, DVD, Oscar 2011





Achei o filme contido, com medo de virar melodrama…mas tudo que o cerca joga a seu favor.
Um dos melhores textos que você já escreveu. Fácil de ler e entender.
Muito obrigado, Paola!
Volte sempre!