Crítica: Caminho da Liberdade

11 de maio por Pedro Tavares | 6 comentários

Em sua filmografia, Peter Weir tem a característica de levar seus personagens a extremos para, então, estudar e exibir seus conflitos internos. Caminho da Liberdade mostra uma nova abordagem dentro desta logística de Weir: traçar um paralelo entre seus limites na adaptação da obra de Slavomir Rawicz.

Para reconstituir a história de fugitivos de Stalin que foram a pé da Sibéria até a Índia, Weir expõe seus personagens a cada minuto. Neste caso, a força do longa não está no martírio. O discurso libertário é silencioso. Através da luta pela sobrevivência destes homens – pestes, tempestades, fome, sede, calor, frio são alguns contratempos abordados –, fora o lado humano no qual a narrativa envolve até o mais duro dos corações, Weir passa do dogma de histórias de perseverança e superação.

A variável está nas elipses, que apresentam o desgaste físico e emocional, além da crescente empatia entre os personagens, que imediatamente se espelha no espectador. Neste momento, o fio político dá lugar ao existencial, onde o longa se sustenta pela força dos personagens.

Pela duração demasiadamente longa, Caminho da Liberdade soa redundante na abordagem dos conflitos. A narrativa intensifica as relações sem esbarrar em clichês deste subgênero e sai-se de forma articulada, com bom ritmo, e sabe medir as doses panfletárias.


CAMINHO DA LIBERDADE (The Way Back, EUA, 2010) Direção: Peter Weir Roteiro: Peter Weir, Keith R. Clarke Elenco: Dragos Bucur, Colin Farrel, Ed Harris, Saoirse Ronan Duração: 133 min Distribuição: California Filmes

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6 comments

  1. Gustavo H.R.

    Mesmo que não seja uma obra-prima, um filme do cada vez mais intermitente Weir sempre será bem-vindo.

    • cinemaorama

      Concordo, Gustavo. Mesmo em baixa, Weir consegue fazer filmes mais relevantes que muitos diretores cultuados atualmente. Abs

  2. Im glad to see that people are actually writing about this

  3. Bacana ver que Peter Weir votou a ativa, mesmo que não seja em um grandioso filme como se pretendia.

    • cinemaorama

      É verdade, Alan. Com um bom roteiro na mão, creio que Weir possa voltar a ter destaque.

  4. Saudações? Achei muito interessante seu weblog, e resolvi escrever esse comentário! Valeu por isso, e fique com sucesso!

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