Cinema brasileiro anos 2000: Estrada Para Ythaca

09 de maio por Pedro Tavares | 1 comentário

Se para Glauber Rocha o cinema novo tinha a motivação de unir características do “terceiro mundo” com a desconstrução de grandes movimentos cinematográficos como a nouvelle vague francesa e o neo-realismo italiano para o protesto, para o grupo de diretores-atores de Estrada Para Ythaca, o entusiamo vem de utilizar as mesmas ferramentas para homenagear pioneiros do que chamamos de cinema marginal.

O próprio Glauber Rocha e Jean-Luc Godard ganham metáforas em forma de homenagem e agradecimento. A viagem de amigos para Ythaca a fim de relembrar um falecido companheiro, no fim, junto ao pulgente estado de luto onde o silêncio roga o incômodo e as frustradas tentativas de reviver bons momentos de quem já se foi, vira um pedido de socorro ao cinema.

Cinema que permite que a magia os leve para Ythaca e escolha qual tipo de cinema seguir, representado por uma bifurcação no meio do caminho. O mesmo cinema pode representar um espírito através de um tropeção no tripé da câmera ou simplesmente seu espírito experimental. O caminho escolhido está explícito na primeira sequência do filme, quando cantam e recusam a morte entre um brinde e outro; o abstrato pode ser tão sublime em sua mensagem que é possível abraçar a plástica de momentos inusitados e nos levar para diversos debates, aqui, representado por Ythaca.


ESTRADA PARA YTHACA (Idem, Brasil, 2010) Direção: Guto Parente, Luiz Pretti, Ricardo Pretti, Pedro Diógenes Roteiro: Guto Parente, Luiz Pretti, Ricardo Pretti, Pedro Diógenes Elenco: Guto Parente, Luiz Pretti, Ricardo Pretti, Pedro Diógenes Duração: 70 min Distribuição: Vitrine Filmes

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