É Tudo Verdade: Homem Erótico
Para reconstituir fatos do passado, Jørgen Leth utiliza a libido como regente, abrangendo o sentido de tais vivências. Homem Erótico se desprende de um modelo documental ao desfragmentar pontos de vista, o tempo e sua narração revestida de poesia, utilizando o corpo feminino como catalisador desta linguagem.
Por um lado, Homem Erótico é objetivo sobre seus desejos introdutórios; a imagem pode corroer a superficialidade e tornar-se poética, independente como seu mandante (no caso, o próprio Leth) deseja. Por outro, o exercício se torna abstrato, abraçando os lugares às memórias que o diretor busca reviver.
Neste segundo viés, o filme de Leth perde seu dinamismo óbvio de uma linguagem televisiva e sugere a contemplação de seus desejos mais íntimos. Reviver, dentro da mente, transportar o desejo oriundo do passado por meios inéditos, transformando a pretensão de resgate em novas experiências. Homem Erótico se sobresai as irregularidades de ritmo – conseqüência de análise de pólos distintos. A possibilidade do estudo sobre a intimidade de Leth, transportando o protagonista ao posto de humano é o seu trunfo. Provavelmente o maior objetivo de qualquer documentário.
HOMEM ERÓTICO (Erotic Man, Dinamarca, 2010) Direção: Jørgen Leth Roteiro: Jørgen Leth Elenco: Jørgen Leth, Marie Marthe, Dorothie Laguerre, Schilaine Cayo Duração: 90 min
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