Crítica: Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos

26 de abril por Pedro Tavares | 17 comentários

Em perspectiva, o novo filme de Woody Allen parece uma releitura de Maridos e Esposas, aclamado filme do diretor nova-iorquino realizado em 1992. Você vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos celebra ironicamente o lado trágico das relações amorosas remetendo à época que o diretor usava as ruas de Manhattan como locações de seus filmes.

Com ajuda de elementos off-screen que o consagrou, Allen constrói um mosaico de situações contemporâneas – que ofuscam o choque do inusitado – para interligar personagens através de elementos tragicômicos ao contrário do drama de 92. Sem tropeços narrativos ou complexidades para representar diversas personalidades de seus personagens, o longa tem desenvolvimento fugaz e dinâmico. E lá estão todas as características que o diretor sustenta nos últimos anos, como o narrador, a presença de mágicos e videntes (O Escorpião de Jade e Scoop – O Grande Furo são alguns exemplos), a diferença de idade gritante entre os protagonistas (Tudo Pode Dar Certo) e o latente pessimismo que cerca toda a narrativa (O Sonho de Cassandra, Match Point).

Você vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos explora vias dicotômicas ao ser uma prazerosa comédia que se desenvolve muito bem com o conjunto de características que culminam no dito cinema autoral. Neste caso nada mais é o ato de identificar macetes da direção de Woody Allen, que não faz questão de se esquivar deste diagnóstico: desde os créditos iniciais até o fim do filme, nós sabemos exatamente o que vamos ver (e vemos há 45 anos) e saímos do cinema com a sensação de frescor, uma das grandes qualidades do cinema de Allen.


VOCÊ VAI CONHECER O HOMEM DOS SEUS SONHOS (You Will Meet a Tall Dark Stranger, EUA/Inglaterra/Espanha, 2010) Direção: Woody Allen Roteiro: Woody Allen Elenco: Naomi Watts, Anthony Hopkins, Antonio Bandera, Josh Brolin Duração: 96 min Distribuição: Califórnia Filmes

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17 comments

  1. Ótimo filme! :)

  2. Amigo seu blog é o melhor que fafa de filmes que já ví. Parabens!

  3. Mesmo que não seja nada revolucionário para os padrões de Allen, como ignorar um elenco e mais um filme do velho, sábio e neurótico mestre? Quero ver.

  4. Tommy Beresford

    Achei mais fraco que os Allens anteriores:
    http://cinemagia.wordpress.com/2010/12/09/resenha...

    Grande abraço !
    Tommy

  5. Como todo filme de Allen, este é recheado de bons diálogos sobre relacionamento e vale a sessão, mesmo não estando entre seus melhores trabalhos.

    Abraço

  6. alexcinefilo

    Interessante você apontar diversas características da recente filmografia de Woody Allen neste filme, foi algo que não havia feito conexão. Ainda assim, não fiquei muito satisfeito com o resultado. Terceiro ato continua sendo o maior problema que tenho com o cinema de Woody Allen. E nem tive essa reação devido o pessimismo que o invade (eu particularmente adoro a saia-justa que a personagem da Naomi Watts acaba se metendo com aquele empréstimo sendo negado), mas sinto que o filme desenvolve uma situação muito bacana para concluí-la de maneira apenas razoável.

    • cinemaorama

      Engraçado, acho o terceiro ato o mais interessante nos últimos filmes do Woody Allen. Convenhamos que ele parece acomodado nessas comédias agridoces. Foi-se o tempo que ele se inspirava em Groucho Marx para as comédias e em Bergman nos dramas.

  7. Achei esse filme uma bosta! Ok, não vamos dizer que é uma bosta pelo Woody Allen, mas nossa… pra mim é de longe o mais fraco dos últimos tempos. E olha que eu gostei de Scoop, viu? Hahahaha

    • cinemaorama

      Luci, como falei pro Alex, parece que ele se acomodou neste gênero. Mas, pior que Scoop o filme não é hehehe!

  8. Eu gostei de Scoop, vi 2x até. Talvez porque assistir sem dar nada pelo filme e achei gostoso de assistir, kind of fun. Mas esse… to de boa! hahahaha

  9. Pra mim Woody Allen vai ser sempre como pizza, até quando é ruim é bom. Não que eu tenha achado "Você Vai Conhecer…" ruim, mas faltou um pouquinho de neurose :)
    Não resisto à tudo que pode dar errado e sempre dá.

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