Crítica: O Garoto de Liverpool
Longe de ser a cinebiografia definitiva de um dos maiores ídolos da música, O Garoto de Liverpool não ignora a importância do rock and roll para a vida e construção do caráter de John Lennon, mas tem foco em um período específico da vida do músico, para entendermos melhor como John transportava sentimentos em melodias e nas letras.
Em sua juventude, John foi exposto a disfuncionalidade de sua família, até então desconhecida e ofuscada por conta da presença de seu amado tio George. Ao mesmo tempo, o garoto conhecia o rock. Esta turbulenta época registrada pelas lentes de Sam Taylor Wood ganha uma potência absurda pelas atuações. Na mais simples sequência, é possível sentir que seu elenco parece cru o bastante para soar genuíno. Aaron Johnson mostra que pode viver a antítese do bobalhão vivido em Kick-Ass – Quebrando Tudo; Kristin Scott Thomas na pele da severa e protetora Mimi consegue explorar a dicotomica personalidade de sua personagem e parece domar a platéia a cada reação; Annie-Marie Duff poderia (ou deveria) ganhar indicações por melhor atriz coadjuvante como a “mãe” de Lennon.
Por esse período de descobertas e principalmente de escolhas, Taylor Wood ignora sensacionalismos e amarras em sua trama. No segundo ato fica bem claro que a intenção maior do diretor é deixar que o público crie as molduras de cada sequência, numa metáfora aos sentimentos e pensamentos do músico. Mesmo esbarrando em momentos rasos – e na insistência de mostrar toda insegurança de Lennon na pose de garoto malvado -, O Garoto de Liverpool rende cenas belas e arrasadoras enquanto apresenta o embrião dos Beatles.
![]()
O GAROTO DE LIVERPOOL (Nowhere Boy, Reino Unido/Canadá, 2009) Direção: Sam Taylor Wood Roteiro: Julia Baird, Matt Greenhalgh Elenco: Aaron Johnson, Kristin Scott Thomas, Annie-Marie Duff, Thomas Sangster Duração: 93 min Distribuição: Imagem Filmes
Posts relacionados:
Tags: Crítica, DVD, Festival do Rio 2010





Acho que a diretora deixou tudo dramático demais focando nas duas "mães"de Lennon, ainda mais com aquela história de perdoar uma a outra pra logo depois dar um acidente trágico. Em geral, gostei bastante do filme, e os personagens casam bem com a interpretação dos atores, principalmente para Paul. Johnson tb fez um papel legal,e eu nao botava tanta fé no ator assim, rs.
Abs!
Acho que uma relação como essa não poderia ser menos dramático…só se a intenção fosse criar um filme anti-climático. Como disse, a força maior está nas atuações e não no roteiro. Bjo!
I like yourwritting so much