Crítica: Homens e Deuses

14 de abril por Pedro Tavares | Nenhum comentário

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Baseado em fatos reais, Homens e Deuses (Grande prêmio do júri no último Festival de Cannes) é uma poderosa análise do sacrifício do homem pela fé sem interferências teológicas ou políticas. Xavier Beauvois constrói nos primeiros minutos de filme o cotidiano de uma aldeia na Argélia que cresceu com ajuda de monges missionários. Quando muçulmanos atacam trabalhadores croatas, os monges franceses logo viram o próximo alvo.

Neste momento, Homens e Deuses deixa de ser uma obra meramente contemplativa para abordar com força extrema – imposto ao subtexto – o conformismo do homem às ordens religiosas e a tendência à manipulação da palavra de Deus e justificá-la com saídas radicais e violentas. Entre o cumprimento de seus chamados ou a preservação, os monges reforçam seus lados afetivos em cenas memoráveis, onde muitas vezes o silêncio substitui um discurso óbvio. Sob raciocínios e motivações diferentes, eles passam pela mesma crise; a de questionar a si e a Deus.

Mesmo com toda força em seu subtexto e muitas vezes utilizando o Evangelho como referência da situação, o diretor se aproxima de cada monge, explorando conflitos e necessidades, frequentemente utilizando a linguagem corporal – uma espécie de represália (in)consciente de homens que a partir da imposição do terror passaram a viver em um paradoxo.


HOMENS E DEUSES (Des Hommes Et Des Dieux, França, 2010) Direção: Xavier Beauvois Roteiro: Xavier Beauvois, Etienne Comar Elenco: Lambert Wilson, Michael Lonsdale, Olivier Rabourdin, Xavier Maly Duração: 122 min Distribuição: Imovision

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