Não me Abandone Jamais
Não me abandone Jamais é um paradoxo de 103 minutos. A luta de Mark Romanek (consagrado como diretor de vídeo-clipes) para fugir de convencionalismos vai da temática mambembe que se justifica a gratuidade à falta de senso ao tentar distorcer a visão sob um gênero, ao contrário do livro de Kazuo Ishiguro no qual o filme é baseado. Os personagens (clones sustentados até a vida adulta com o propósito de doar órgãos aos seus “originais”) não são iconoclastas – algo que tornaria o filme um estudo da alienação e submissão, apesar de em certos momentos colocar tais assuntos em pauta.
Distorcendo a dimensão do tempo e a relação de personagens, tudo parece se complicar e resolver facilmente. Junto, está a fuga de gêneros, onde a abordagem existencialista cai em clichês de romances (em estética e texto) convencionais por mais que a temática tente impor outra interpretação.
Não me abandone Jamais tem acertos, como a analise e efeitos da arte na alma, do já citado estado de submissão e ao abordar a lobotomia infantil como um alicerce político, mas, por passear por extremos, o resultado é irregular. Sustenta-se pelo ritmo e por gerar expectativas a cada ato, mesmo caindo em contradição ou redundância na busca pela originalidade.
NÃO ME ABANDONE JAMAIS (Never Let Me Go, Reino Unido/EUA, 2010) Direção: Mark Romanek Roteiro: Alex Garland Elenco: Carey Mulligan, Keira Knightley, Andrew Garfield, Charlotte Rampling Duração: 103 min Distribuição: Fox





Puxa, gostei bem mais do que você, rs… Acho melancolico e bota a gnt numa reflexao sobre a humanidade. O lado cientifico do fime é bastante sutil. Quase nem dá para perceber. Mas nao sei se isso chegou a ser um erro de Romanek ou um acerto…
Abs!
Tendo lido outras opiniões divergentes a respeito, não sei bem o que esperar. Parece um filme que pode te conquistar sutilmente, ou afundar na morosidade pretensiosa.
Gustavo, nesse ponto você tem razão. "Não me Abandone Jamais" conseguiu dividir opiniões. Alguns foram conquistados. Eu achei o filme uma bobagem.
O filme se sabota pela ingenuidade e o resultado é um pastel de vento.
Obrigado, Elton. Resumiu perfeitamente!!!
Finalmente uma crítica pé no chão. Achei esse filme tão apático, sem graça. Sem atitude.. Todo mundo no filme é tão complacente que dá a impressão que o roteiro teve medo de colocar a discussão em pauta e resolver só concordar com tudo. Não li o livro, mas tenho deve ser mais interessante do que isso.
Marcel, muito legal receber um comentário seu! Volte sempre. Sobre o filme, concordo contigo. Morno e desritmado.