Jogo de Poder
Ainda sob rastros dos atentados de onze de setembro, Doug Liman apresentou Jogo de Poder no último Festival de Cannes sob a tutela de amargar mensagens pacifistas e de aprofundar a discussão sem o ranço sensacionalista estimado nos últimos anos em Hollywood baseado no livro The Policts of Truth de Joseph Wilson. Sua obra, superficialmente, nos dá uma sensação decorativa, apenas. Por outro lado, não existe nenhuma disparidade entre subtexto e trama, o que amarra sua proposta sem grandes problemas.
A análise de Joe e Valerie casal envolvido com a CIA e a infinita busca pelas supostas armas nucleares de Saddam Hussein, guarda nas entrelinhas finíssima ironia sobre a posição da política americana, hasteada em falso heroísmo e altruísmo. Jogo de Poder reveste-se na narrativa em aspectos primitivos para ser um thriller convencional, escapista. Mas sua força maior está no subtexto debochado – reforçado pela dramaturgia que brinda o constrangimento através do silêncio.
A calidez do discurso de Liman deve-se a um sistema falho, que enaltece o erro através da burocracia envolvendo a imprensa e o poder. Ser direto nesse caso perderia muito, dramática e sistematicamente. Com a duplicidade de ser um competente filme de gênero e um irônico manifesto, o filme encontra dificuldades no desenvolver ao achar saídas batidas e previsíveis ao longo da história de um país que suspostamente se ergue após um “susto”.
JOGO DE PODER (Fair Game, EUA, 2010) Direção: Doug Liman Roteiro: Jez e John-Henry Butterworh Elenco: Naomi Watts, Sean Penn, Thomas McCarthy, Noah Emmerich Duração: 108 min Distribuição: Paris Filmes




