A Vida Durante a Guerra

21 de fevereiro por Pedro Tavares | 22 comentários

Todd Solondz revisita em A Vida Durante a Guerra os personagens do sincero e inesquecível Felicidade, filme que o consagrou em 1998 sob o mesmo olhar crítico de antes, usufruindo de um momento delicado para a sociedade americana, cercada de síndromes e paranóias.

Repete-se a fórmula com adaptações pertinentes à atualidade; diálogos fortes e calçados no humor negro para novamente mostrar um país debilitado atrás de uma casca perfeita representada por um jardim bonito e casas exuberantes.

Com propriedade, Solondz aborda uma nova idéia sobre a guerra com o tradicional incômodo que seu cinema traz. A Vida Durante a Guerra poderia ser um filme de força diluída na falta de originalidade tanto no argumento quanto na fórmula, justamente onde vive o grande mérito de Felicidade, mas a adaptação para o tempo pós-onze de setembro parece trivial onde pouquíssimos realizadores se esquivam de um discurso apaziguador, que alimenta o sonho da paz, enquanto a guerra continua dentro das mentes de uma nação doente.


A VIDA DURANTE A GUERRA (Life During Wartime, EUA, 2009) Direção: Todd Solondz Roteiro: Todd Solondz Elenco: Ally Sheedy, Michael Lerner, Renée Taylor Duração: 98 min Distribuição: Imagem Filmes

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22 comments

  1. Acho interessante a analogia da fala nós vivemos em tempos de guerra não somente referente ao mundo, mas de certa forma uma guerra com nós mesmos e na convivência com outras pessoas.

  2. Postei um comentário no facebook sobre o filme. Faço uma “analogia” ao “A Vida Durante a Guerra”, quando escrevo ‘A Guerra Durante a Vida’. A vida onde possuimos nossas feridas internalizadas. O filme aborda a questão do perdão para tentar esquecer, se redimir do passado. Resta saber se o perdão assombra os fantasmas…

    Pedro, seu comentário está perfeito.

    Abraços

    • Pedro Tavares

      Oi Kátia, muito obrigado. Concordo com seu comentário sobre o filme. Mesmo nesse segmento serve como uma sequência natural de FELICIDADE. Espero que você tenha visto este.

      Beijos!

  3. Se nesse filme Solondz repete suas próprias fórmulas de uma obra anterior, talvez não seja uma má oportunidade de primeiro contato com a sensibilidade dele. Nunca vi nenhum filme do diretor.

  4. Alex Gonçalves

    Ano passado vi toda a filmografia de Todd Solondz e apreciei muito o seu trabalho. Quero muito assistir a este seu novo filme. Ele é mesmo uma sequência de “Felicidade”, desenvolvendo os mesmos personagens?

  5. ótima informação sobre o filme

  6. Pottentel

    Achei o seu post via google e gostei.

  7. Felipe Trapani

    Minha filha adora o Todd Solondz!

  8. Pedro Henrique

    Filmaço! Só confirma a tendência de que o independente norte-americano é muito mais interessante que o mainstream.

    • Pedro Tavares

      Oi Pedro! Acho que o cinema independente americano anda com pensamentos tacanhos ao adotar a mesma saída estilística e roteiros bobinhos, principalmente após JUNO. Mas algumas figuras como Solondz garantem bons momentos.

  9. O Todd Solondz é um diretor meio complicado pra mim. Mas, tenho sempre curiosidades para assistir às obras dele.

  10. Preciso descobrir a filmografia de Todd Solondz.

    • Pedro Tavares

      Wally, concordo. Sugiro começar cronologicamente: BEM-VINDA A CASA DE BONECAS (95) e FELICIDADE (98)

  11. Película

    Gostei do post. Estou bem curiosa para ver esse filme!

  12. Alex Gonçalves

    Como dá para perceber em meu comentário anterior, temi este filme por ele ser uma sequência de "Felicidade" (pouco convencional, é verdade), mas adorei o resultado. A mudança geral do elenco foi muito boa, o desempenho de Ciarán Hinds é incrível. Também achei o roteiro forte, bem forte.

  13. genial esto se ve interesante

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