127 Horas

17 de fevereiro por Pedro Tavares | 10 comentários

Era de se imaginar que a história de um homem preso a uma pedra por 127 horas levasse a um caminho que sua narrativa sustentasse elementos de suspense. Danny Boyle não elimina por completo essa proposta, mas opta por um tour de force louvável ao analisar a perda de lucidez de um homem através de uma desconstrução ilustrativa.

127 Horas guarda resquícios narrativos dentro da dinâmica da linguagem de vídeo-clipe que mantém o ritmo do longa intacto. Para abordar todos os pesos da mente de Aron Ralston (James Franco), Boyle abusa de todas as idéias que tal saída lhe proporciona: tela dividida, fragmentação do tempo e o encontro imagético com seus conflitos, justificados pelo estado físico do protagonista. Como forma de exorcismo e aproximação ao público, lá está uma filmadora portátil.

Ainda sim, o filme possui forças para ser claustrofóbico por analisar a situação como um todo, não apenas no sofrimento do escalador. Mas, por priorizar o monstro interior de Aron, a necessidade de inserir elementos melodramáticos (reforçada pela trilha de A.R. Rahman) desequilibra o epílogo e dá margem ao desfecho brusco e demasiadamente manipulado, visualmente falando.


127 HORAS (127 Hours, EUA/Reino Unido, 2010) Direção: Danny Boyle Roteiro: Danny Boyle e Simon Beaufoy Elenco: James Franco, Kate Mara, Sean Bott, Parker Hadley Duração: 94 min Distribuição: Fox

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10 comments

  1. Filmão! Belo trabalho de Danny Boyle e James Franco. Abs!

  2. Pedro, não tive problemas com essa manipulação usada ao final, que realmente está lá. O erro é toda essa montagem frenética, que tira do filme toda a sensação de tempo em uma situação inimaginável que provavelmente foi de uma eternidade para o Aron. Ficar cinco dias e algumas horas com o braço sob uma rocha deve ser insuportável e senti pouco deste sentimento durante o filme. Neste sentido, "Enterrado Vivo" me pareceu muito mais eficiente.

    • cinemaorama

      Enterrado Vivo é mais eficiente por um motivo: ele tem uma trama. Acontecem coisas fora da tela. Nós acompanhamos o terror que acontece fora da tela. Já em 127 Horas acho que a intenção de criar delírios e misturá-los aos traumas do Aron não foi uma das melhores idéias…

  3. natalialx

    Nao assisti ainda, embora já dei um voto de confiança por conta da direção do filme. Além do que não é tarefa muito fácil fazer filmes deste tipo, onde temos praticamente um personagem no meio do nada ne? Estou curiosa pra ver a tal cena que causa desmaios e vomitos, rs É pra tanto mesmo será?

    Abs!

    • cinemaorama

      Eu não achei nada demais, Natalia. Hoje uma amiga me contou que a sessão que a irmã dela estava um cara desmaiou e tiveram que parar o filme para ele ser atendido.

  4. Nossa, desacredito quando escuto que teve alguém que passou mal e etc vendo esse filme! Achei que fosse só mídia em cima, pelo visto não né? Eu gostei do filme, mais que o "Enterrado Vivo". Este último não me prendeu nem um pouco a atenção, chegou a me dar sono.

    • cinemaorama

      Gostei dos dois na mesma "medida", Luci, mas concordo que não há motivo para alguém passar mal…

  5. Ayuda! Me encanta leer sus artículos, gracias por todo.

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    http://hdparanotebook.com

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