O Estudante
Num antro profissional, a sensatez em utilizar o formato de sitcom – quando não justificado – num longa-metragem é inexistente. Justificam-se os grandes números de bilheteria, mas não a qualidade do produto como cinema. E tal fato não é uma particularidade do cinema nacional da época da retomada. No longa dirigido por Roberto Girault, equivale-se à proposta noveleira para a construção de um melodrama que preza por exageros e que aparentemente tende à bilheterias prolíficas, mas sem um norte narrativo.
Em seu primeiro ato, tudo leva a crer que O Estudante é uma obra sobre adaptação em um novo tempo para o protagonista Chano. Um tempo abstrato para qualquer um que vive em intensa névoa nostalgica, mas que ao primeiro sintoma de uma crise existencial, uma atitude “radical” é tomada para resolver todos os problemas de roteiro. Mas não é bem isso que Girault pretende em sua narrativa; trata-se de uma história de amor e amizade que o diretor faz questão de martelar dezenas de vezes. Tal amplitude ganha sentido pelo exagero melodramático em seu clímax, pois por toda sua duração, o filme peca ao que diz respeito à exposição de conflitos e desenvolvimento dos personagens.
O Estudante foge de uma total catástrofe graças ao dinamismo de suas cenas e por não oscilar por outros caminhos; Girault assume a identidade de seu filme nos primeiros minutos e a mantém intacta até o fim. Por outro, fica em aberto diversas possibilidades no roteiro e pesa-se a insegurança do elenco (exceto o inspirado Jorge Lavat) e da direção. A conclusão é que estamos diante de um capítulo de novela mexicana com duração estendida.
O ESTUDANTE (El Estudiante, México, 2010) Direção: Roberto Girault Roteiro: Roberto Girault Elenco: Jorge Lavat, Pablo Cruz Guerrero, Jeannine Derbez, Silvia Santoyo Duração: 90 minutos Distribuição: Califórnia Filmes
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