Lixo Extraordinário
Vik Muniz conquistou o mundo e seu próprio ego transformando o excesso em arte. Humanização e conscientização relacionadas à problemática em crescimento lateral exorbitante que é o aterro de Jardim Gramacho no Rio de Janeiro compõem a quase-narrativa do filme de Lucy Walker, co-dirigido por João Jardim e Karen Harley.
Para elevar a realidade ao status de arte, Muniz e sua equipe procuram matéria-prima: histórias distintas, personagens que possam imprimir sentimentos na tela do cinema e de suas obras com dinâmica e clareza. Alguns são abandonados durante o processo sem justificativas, apesar de obterem as qualidades silenciosamente exigidas. A motivação do artista plástico é fazer o caminho oposto de que os leilões conhecem – transformar a arte em vida. Em qualidade de vida.
Personagens como Tião e Irmã trazem força bruta ao filme, que faz questão de analisar extremos distintos e suas reações quando tais realidades se encontram, representada pelo próprio Vik Muniz – que ao longo do filme é tratado como herói – e os catadores. E no desenvolvimento, na aproximação, é que Lixo Extraordinário ganha seu espectador, isolando a ordinária visão de um tema saturado, sem ser hermético, pelo contrário, quase alegórico, onde a função encobre a pretensão, comprovado pela ausência de cuidados estéticos (que não cabem à justificativa por pertencer a um documentário) e a importância da fuga de uma abordagem institucional. E tudo isso, graças a sinceridade de seus personagens.
LIXO EXTRAORDINÁRIO (Waste Land, Brasil/Reino Unido, 2010) Direção: Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley Roteiro: Vik Muniz Elenco: Vik Muniz, Tião, Zumbi, Irmã Duração: 90 min Distribuição: Downtown Filmes
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Tags: Cinema Nacional, Críticas, Em Cartaz, Festival do Rio 2010, Mostra de São Paulo 2010





Pelo seu texto e pelo que venho acompanhando a crítica, esperava uma cotação maior do que meras 3 estrelinhas. No mais, é um dos filmes mais esperados por mim e fico feliz com o seu reconhecimento mundial, provando que se o Brasil tem pouca visibilidade nas produções fictícias, ao menos se mostra imperativo quando o assunto é documentário. E é mesmo o que se faz melhor no nosso Brasil atualmente.
abs!
Oi Elton, não posso negar que o documentário tem boas idéias para entronizar os personagens e o relacionamento deles com o narrador-protagonista é interessante, mas o ego do Muniz é de fato gigante o bastante para quase colocar tudo em jogo. Depois me diz o que achou…