Biutiful

21 de janeiro por Pedro Tavares | 5 comentários

CRÍTICA: BIUTIFUL de Alejandro González Iñárritu

Javier Bardem Alejandro González Iñárritu

Em seu primeiro trabalho sem a parceria com Guillermo Ariaga como roteirista, Alejandro González Iñárritu entrega um trabalho que transcende qualquer intenção imagética ou subterfúgio estilístico. Biutiful é uma espécie de epopéia autobiográfica (que fica mais evidente ao longo do filme) que segue no caminho oposto de tudo que já fez em aspectos narrativos. Sem fragmentações – e mesmo assim bastante engajado -, Iñárritu traz para a atualidade e acoplando a atemporalidade um roteiro restrito, bastante particular.

A sempre inquieta câmera de Iñárritu acompanha Uxbal (Javier Bardem em atuação impecável) após o descobrimento da posse de poucos dias de vida por conta de um câncer na próstata. A partir de uma relação abstrata com a morte e o eixo caótico de uma Barcelona encardida, claustrofóbica e inquieta que aspira vícios, doenças, preconceitos e relações quase inconcebíveis, Uxbal demonstra viver numa dicotomia constante.

Entre a fraqueza de seu corpo e a mente poderosa de um homem que cuida de negócios ilegais, está a instabilidade emocional referente aos filhos e a esposa. O grande porém de Biutiful está na composição deste estado. Sem Arriaga, o diretor parece perdido, mais interessado em criar complexos visuais e acidentalmente iguais aos de O Assassino Sentimental de Máquinas do conterrâneo Omar Rodriguez-Lopez. Esta aposta vai de encontro com o oposto de sua narrativa, mais intimista, implícita para contar a agonia de um homem e sua já saudosa relação com a família.

BIUTIFUL (Idem, Espanha/México, 2010) Direção: Alejandro González Iñárritu Roteiro: Alejandro González Iñárritu, Armando Bo e Nicolás Giacobone Elenco: Javier Bardem, Maricel Álvarez, Hanna Bouchaib, Guillermo Estrela Duração: 147 min Distribuição: Paris Filmes

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5 comments

  1. pedro, tu tava na cabine? ahn, a gente nunca vai se conhecer…

    mas falando do filme, tu não achas que ele se estende demais? só uma pergunta boba.

  2. Geo, tava sim!

    Acho que ele se perde sim. E não só com o tempo. Alguns núcleos avulsos (principalmente a história dos amantes chineses) e a insistência de transformar o estado de espírito do protagonista em plástica falham.

  3. Depois de ver o cometário de http://www.cabinecelular.com.br sobre o filme e ler depois o seu, fico com um pouco de medo de assistir o filme e morrer afogada nas minhas lágrimas. Javier Bardem mostra que vive o personagem em cada um de seus filmes, a diferença e distinção faz com que pareça que não é atuado pela mesma pessoa de tão impecável, noto isso desde que vi Mar Adentro, Sombras de Goya e Aonde os fracos não tem vez. Da uma olhada nesse site aí q te passei pedro…é interessante.

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