Um Doce Olhar

08 de dezembro por Pedro Tavares | 6 comentários

Última parte da trilogia de Yusuf (os dois outros capítulos se chamam Ovo e Leite), Um Doce Olhar (Mel, traduzindo do título original), como o título nacional entrega, é uma obra contemplativa à perda da inocência durante a infância e a percepção da vida do garoto Yusuf (Bora Altas em brilhante atuação) e a procura da tão sonhada prosperidade por seu pai, sobre a mesma perspectiva.

Com poucos diálogos, o diretor Semih Kanapoglu resume ao cotidiano da família do garoto para analisar e desfragmentar em longas sequências a sua proposta; ela se torna mais clara quando o recluso garoto sofre com o sumiço de seu pai, que fora para outro vilarejo atrás de mel, fonte de renda da família.

A angústia do garoto é equivalente à sua insegurança, representada pela dificuldade de expressar seus anseios no colégio e nos afazeres em casa. Sempre calado e acostumado a utilizar os sussurros como meio de expressão, o garoto usa novas maneiras para mostrar sua insatisfação à intrigante volta de seu pai. O cinema de Kanapoglu se mostra como uma força silenciosa, devastadora, mesmo que a narrativa solta e lenta atrapalhe o desenvolvimento da trama, a proposta do diretor é a da reflexão e não a da imersão. Um Doce Olhar foi o vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim.

UM DOCE OLHAR (Bal, Turquia/Alemanha, 2010) Direção: Semih Kanapoglu Roteiro: Semih Kanapoglu, Orçun Koksal Elenco: Boras Altas, Tulin Ozen, Alev Ucarer, Ayse Altay Duração: 95 min

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6 comments

  1. Certas coisas funcionam, e outras não, em Um Doce Olhar. Mas Semih filma bem (alguns planos do filme vão ficar comigo por bastante tempo).

  2. Pedro Tavares

    Semih é um bom diretor, Pedro. Acho que a lentidão atrapalha um pouco no desenvolvimento na trama.

  3. A lentidão só é um empecilho quando a narrativa não comporta sua essência – e acontece um pouco disso em Um Doce Olhar. Nesse sentido, aí sim, sou contra o estatismo. Abs!

    • Pedro Tavares

      Eu acho que isso acontece em alguns momentos de UM DOCE OLHAR. Quando o ritmo é justificado, até mesmo pelo exercício contemplativo, eu gosto. Novamente, concordo contigo!

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