Mostra Godard: Film Socialisme
GODARD: 8 FILMES, 80 ANOS: FILM SOCIALISME (Film Socialism, França/Suíça, 2010)
Inspirado pela poesia e vídeo-arte Jean-Luc Godard cria um mosaico em Film Socialisme que subverte a noção de narrativa do cinema. Por mais fragmentada que seja ela está lá, mesmo que em forma diminuta. Para começar, o filme tem duas versões. Uma com legendas que acompanham os diálogos. A segunda, batizada de “versão Godard”, capta apenas o que o diretor considera importante para construir seu manifesto, comparando o cérebro humano a um deserto.
Logicamente que essa escolha salienta a opinião sobre a futilidade e o excesso de diálogos em filmes. Mas o cinema não é o único ataque de críticas do diretor. Entre reflexões políticas e religiosas, Godard sugere debates sobre AIDS (e a incrustada visão política sobre o assunto), globalização, a era digital (e todas as leis autorais que a cerca) e claro, a relação socialismo-capitalismo.
No primeiro ato, a análise corre a Europa através de um cruzeiro, onde a pluralidade de idiomas reverbera a intenção do diretor de incentivar a reflexão durante os diálogos soltos, abstratos. No segundo, dois irmãos discutem ideologias de vida entre colagens e devaneios que destroçam o sensacionalismo e a manipulação televisiva e a revolta dos mais puritanos contra o cinema digital. No último, talvez o mais difícil de assimilar – o estudo de mitos da humanidade -, ironicamente Godard entrega como seu filme deve ser desconstruído e o porquê de desenvolver Film Socialisme dessa maneira.
Fora o lado inovador de representar duas formas de arte praticamente marginalizadas dentro de uma narrativa, Godard esmaece diversos assuntos sem que eles pareçam deslocados dentro da proposta quase descompromissada com seu próprio engajamento. Film Socialisme é sim um filme difícil de assimilar e propositadamente feito para ser visto diversas vezes, junto com novas idéias e posturas.
FILM SOCIALISME (Film Socialism, França/Suíca, 2010) Direção: Jean-Luc Godard Roteiro: Jean-Luc Godard Elenco: Patti Smith, Élisabeth Vitali, Christian Sinniger, Quentin Grosset Duração: 97 min
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Tags: Críticas, Em Cartaz, Festival do Rio 2010, Mostra de São Paulo 2010





Esse é o problema. Confesso que tenho receio de boiar vendo esse troço. Mas, por outro lado, obras assim desafiam e duram mais…
Gustavo, por mais que você possa "boiar" ao ver o filme, creio que fica a motivação para assistir outras vezes. Como Kubrick fez em 2001, sabe? hehe!