A Origem

09 de dezembro por Pedro Tavares | 17 comentários

LANÇAMENTO EM DVD: A ORIGEM (Inception, EUA, 2010)

Uma pequena e óbvia analogia às possibilidades do cinema pode ser atrelada ao roteiro de A Origem. Afinal, só a sétima pode se assemelhar tanto aos sonhos. Só na tela de cinema podemos ver a materialização de um sonho em “tempo real”. Esta brecha é explorada minuciosamente por Christopher Nolan, um diretor que sempre foge de convencionalismos. O tempo, a imersão, a sensação de queda e o vespertino despertar são apenas algumas identificações que o diretor desenvolve com o espectador. Sabendo desse vasto leque de informações, Nolan dispensa a fragmentação da narrativa, mas não deixa de confundir, o que é de praxe em seus filmes.

E criar a equivalência entre a realidade e os sonhos é o tour de force do filme de Nolan. A impressionante plástica e ótimo timing para representar e desconstruir facetas distintas deste estado aumentam o impacto para configurar um filme de gênero. Envolve-se muito mais pelos aspectos citados que pela trama em si. A construção do thriller é igual a qualquer outro. Não estamos à frente de um filme de múltiplas saídas, como os de David Lynch, por exemplo.

A composição de personagens e seus conflitos são batidos e não condizem com toda originalidade do filme. Estão lá os conflitos amorosos e as mesmas motivações para os personagens se corromperem: ganância e incerteza. Fica evidente em certo momento que Nolan busca criar uma nova experiência ao espectador sem ultrapassar as fronteiras de seu conforto. Que não saia da passividade e resolva interagir com o filme. Em devidas proporções, A Origem se conclui sem fugir de um lugar comum no cinema contemporâneo.


A ORIGEM (Inception, EUA/Inglaterra, 2010) Direção: Christopher Nolan Roteiro: Christopher Nolan Elenco: Leonardo DiCaprio, Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard Duração: 148 min

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17 comments

  1. Ótima resenha! Acredito que o que venha à valer no filme seja exatamente o que está por fora da história…as sensações que ele procura trazer. Mas veremos, quero ver o filme antes. Beijos

  2. Não é meu tipo preferido de filme mas eu quero ver mesmo assim. Não tem estreado nada grande e BOM.

  3. Olá, Pedro!

    Bom, eu discordo um pouco de você e entendo o seu texto. Não acho que os dramas são realmente batidos. Na realidade, eles podem até ser mas não foram jogados apenas para dizer que o Cobb é um personagem complexo. Os dramas dele possuem uma grande interferência na trama e isso está lá durante todo o filme. Nolan consegue equilibrar o fato de ter vários sonhos dentro de um sonho somente, criando uma história orgânica e que funciona como ação, suspense, ficção científica e também como um drama.

    Acho interessante a sua visão, mas acredito que “A Origem” é uma experiência cinematográfica ousada em muitos sentidos.

    Abraçoos, cara!

  4. Paola, o que me agradou no filme foi esta análise dos sonhos e o paralelo com o real. As sensações são parecidas com outros filmes.

    Natália, bom te ver por aqui. Eu concordo contigo. Vale a pena ver na telona.

    Vinícius, discordar é saudável e admiro o fato de Nolan inserir um tema complexo numa trama aparentemente simples. Só seguiria um caminho novo, sabe? Novas sensações, conclusões e questões.

    Um abração!

  5. minhas expectativas para o filme estão altas, irei conferir ainda.

  6. faço minhas as palavras do Cleber,minhas expectativas estão altíssima.abraços

  7. Concordo contigo, Pedro.

    O filme me impressionou mais pelos contextos e simbolismo desenvolvido quanto ao ‘sonho’…mas, há motivações que, para mim, não trouxe nada de inovador…meio cliche, sera?

    abs

  8. Cleber e Leandro, acho que a melhor forma de se ver um filme é esperando absolutamente nada dele. Sei que esse filme inspira essa ansiedade toda, mas sugiro que vocês não esperem nada dele. Não que seja ruim, mas…bom, vocês entenderam.

    Cristiano, tivemos a mesma sensação sobre o filme então. Acho clichêzão mesmo. Um abraço!

  9. Ummm… discordo que os conflitos são batidos. Alias, ganância? Fator que não possui importância para a narrativa. O âmago ali é o romance fortíssimo – e neste sentido achei os personagens muito bem construídos e contemplados.

    E acho que houve uma imensa interatividade. Aquele clímax de mais de uma hora, por exemplo, é de uma condução exigente e esforçada por parte não só do diretor, mas do editor – e o esforço é perceptível.

  10. Wally, a ganância é que justifica o filme inteiro. O romance é desnecessário. Era totalmente possível vc construir um mosaico mais denso sem essa cartilha. Eu não vi um clímax de uma hora…na verdade eu não vi clímax. A força do filme está no espaço lúdico e nos leques abertos para analisar o ser humano.

  11. Acho que justifica o enredo do filme, mas a obra é sobre muito mais que isso. É aí que tá o valor do roteiro, desenvolver emoções paralelas que ao fim se convergem em pura poesia. Bem, minha opinião, rs.

  12. Pedro,

    Acho que eu também pediria por uma outra conclusão. Porque o final ele apela para aquela coisa feliz ao invés do trágico. Eu acho que ele também poderia sair do “lugar-comum” nesse sentido.

    Eu só não aceito alguns críticos comparando o Nolan ao Kubrick, ao Coppola e a outros diretores clássicos. Vamos com calma, muita calma ahhaah Nolan é um grande diretor, mas o pessoal não precisa engrandecê-lo tanto assim haahha

    Abração, cara!

  13. Quando digo lugar comum não me refiro a final feliz, digo que Nolan mexe seus pauzinhos igual à qualquer outro diretor para construir um thriller. Numa tosca metáfora, digamos que ele usa uma roupa nova, mas os sapato são velhos. Quando você para e analisa sabe que tem algo destoando, entende? Eu gosto muito dos trabalhos do Nolan, principalmente “Amnésia” e “Cavaleiro das Trevas”, mas não vejo sentido nesta comparação.

    Abraço!

  14. Quando digo lugar comum não me refiro a final feliz, digo que Nolan mexe seus pauzinhos igual à qualquer outro diretor para construir um thriller. Numa tosca metáfora, digamos que ele usa uma roupa nova, mas os sapato são velhos. Quando você para e analisa sabe que tem algo destoando, entende? Eu gosto muito dos trabalhos do Nolan, principalmente “Amnésia” e “Cavaleiro das Trevas”, mas não vejo sentido nesta comparação. Abraço!

  15. Acho que justifica o enredo do filme, mas a obra é sobre muito mais que isso. É aí que tá o valor do roteiro, desenvolver emoções paralelas que ao fim se convergem em pura poesia. Bem, minha opinião, rs.

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