Festival do Rio: Cópia Fiel / Buraco Negro

Os personagens de Juliette Binoche e William Shimmel em certa altura de Cópia Fiel conversam sobre novas visões sobre um aspecto ou produto. É apenas uma das milhares de analogias sobre a moral do novo longa de Abbas Kiarostami. Este que se entrega apenas como um maestro de belíssimas e longas sequências, brincando com a arquitetura de Arezzo, cidade da Itália. Sua câmera tão invasiva em planos subjetivos, também se torna voyeur e paira na simplicidade do plano e contra plano.
Apesar de remeter a outra obra-prima do diretor, 10, Kiarostami entrega uma obra inventiva. Diálogos se tornam implícitos pelas própria potência. Relações conjugais podem ser o cerne da discussão (filme/platéia) sobre nossa falta de personalidade e os motivos de sermos tão banais, óbvios e cheio de sentimentalismos baratos. Mas, é um leque gigantesco de questões , construído através da metalinguagem. Cabe ao espectador criar sua própria temática.
Cópia Fiel é uma aula de cinema como há muito tempo não se via. Atravessa por extremos técnicos e líricos despachando experimentalismos sem dispersar o interesse pela narrativa, fora os inspirados protagonistas.
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CÓPIA FIEL (Copie Conforme, França/Itália/Irã, 2010) Direção: Abbas Kiarostami Roteiro: Abbas Kiarostami Elenco: Juliette Binoche, William Shimmel, Adrian Moore, Andrea Laurenzi Duração: 106 min
Não me surpreenderia se em pouco tempo Buraco Negro ganhasse um remake americano. O roteiro é redondo, passeia por gêneros e ainda tem a clássica “moral da história”. Embora guiado pelo suspense, o filme é tratado inteiramente pela superficialidade de relacionamentos adolescentes (talvez o público alvo do filme) e mergulha no universo lúdico dos games para levantar questões existenciais.
Gilles Marchand consegue unir três pilares narrativos sem que nenhum deles pareça avulso à proposta; dá pé à delicada inserção de uma história num mundo paralelo, numa espécie de Second Life com a reunião secreta de De Olhos Bem Fechados. Os méritos vão para a decupagem que não deixa que essa ousadia não caia no ridículo. Por outro lado, consegue momentos que beiram a vergonha alheia pela ausência de profundidade na relação de seus estereotipados personagens.
Buraco Negro é o típico caso de filmes com boa execução, mas com o excesso de cautela para não rebuscar o roteiro, que possa estragar a intenção principal do diretor, que, obviamente, é dar um clima específico ao filme. Sobra aura, mas falta conteúdo.
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BURACO NEGRO (L’Autre Monde, França/Bélgica, 2010) Direção: Gilles Marchand Roteiro: Gilles Marchand Elenco: Louise Borgoin, Melvil Poupad, Pierre Niney, Gregóire Le Prince Duração: 103 min
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Tags: Críticas, Festival do Rio 2010




Que inveja! Queria muito ver Cópia Fiel.
Assino embaixo o que Mateus disse. ^^
Parece uma boa oportunidade para entrar em contato com o cinema de Kiarostami.
Dos três filmes que citou, fiquei curioso com o “Nosso Fantástico Século 21".
Gustavo, indico além deste, '10' e 'Gosto de Cereja'.
Obrigada!