Festival do Rio: A Última Estação / Quebra-Cabeça

01 de outubro por Pedro Tavares | 6 comentários

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O paradoxo que o escritor Leo Tolstoi sustentava ao buscar edificação espiritual longe da filosofia inventada pelo próprio fica em segundo lugar em A Última Estação, novo filme de Michael Hoffman. Ele analisa uma briga de egos usando o escritor como pilar através do ponto de vista de um personagem, no fim das contas, aleatório para a trama.

A concentração do roteiro na ambígua visão de Sofya Tolstoi, a mulher do escritor (a ótima Helen Mirren). Ao mesmo tempo, ela lutava pelo lucro da família através da obra de Tolstoi – indo contra a ideologia pregada por ele – e levar uma vida tranquila no retiro em que ele vive com seus seguidores. Uma visão conflituosa com a do protagonista Valentin Bulgakov (James McAvoy), admirador do escritor e novato no retiro e principalmente com a de Vladimir Chertkov (Paul Giamatti), homem que acreditava que a obra do escritor deveria ser levada aos quatro cantos do mundo.

Esta questão nada trivial para o escritor só é deixada de lado para acompanharmos um romance que serve mais como conto moralista. Hoffman acerta quando não deixa seus personagens estereotipados numa trama que implicitamente trata do duelo entre razão e emoção. Mas não consegue organizar um raciocínio para construir um conceito relevante à história de Tolstoi, que no fim, mergulha de cabeça num melodrama de segunda.

2star

 

A ÚLTIMA ESTAÇÃO (The Last Station, Alemanha/Rússia/Inglaterra, 2009) Direção: Michael Hoffman Roteiro: Michael Hoffman Elenco: Helen Mirren, Christopher Plummer, Paul Giamatti, James McAvoy Duração: 112 min

Quebra-Cabeça é um daqueles filmes que despacham a nós a empatia à sua protagonista com a aposta de uma identificação imediata e de grande pilar da narrativo. Este talvez seja o grande tropeço do filme que adota elucubrações para assuntos tão corriqueiros. Representados por Maria, uma dona de casa, que ao descobrir o passatempo de montar quebra-cabeças salienta a importância de ser seu tempo, suas particularidades na mesma medida em que se dedica à família.

Evitando grandes ensejos melodramáticos, incluindo cortes grosseiros em cenas que só ilustrariam um sentimento, Maria Smirnoff exalta questões existenciais neste exercício. A relação sempre pacífica com filhos e marido (sempre em segundo plano para a diretora) e o sufoco natural de quem se dedica por inteiro a eles bate de frente ao encontro com Roberto, homem que procura alguém para ser par no próximo campeonato de quebra-cabeças.

No desenrolar da trama, vemos o óbvio. Por outro lado, no processo de maturidade de uma mulher que sempre esteve escondida atrás de seu instinto materno, Smirnoff destroça implicitamente um monstro, que se entrega e se descarrega com o reconhecimento alheio e com o aval de sua família. Esta que, no momento certo, lhe ajuda a buscar a sensatez.

3star

 

QUEBRA-CABEÇA (Rompecabezas, Argentina, 2009) Direção: Maria Smirnoff Roteiro: Maria Smirnoff Elenco: María Onetto, Gabriel Goity, Arturo Goetz, Henny Trayles Duração: 87 min

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6 comments

  1. nao fiquei sabendo do filme sobre tolstói. é uma cinebiografia ou algo do tipo?

    • Pedro Tavares

      tay, é sobre uma época da vida dele. especificamente, o final dela. mas ele não é o centro da história.

  2. Bom post. Não sei pq, mas me deixou motivado a fazer um parecido.

  3. Gostaria de ter um site também. Muito bom o trabalho que você fez aqui. Sucesso. :P

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