White Material

Maria mora em um local devastado pela guerra civil. Em qualquer esquina, é possível ver rastros de violência. Ela tem uma plantação de café e se mudar está fora de cogitação, pois alega ter laços sentimentais com o local. O café produzido por Maria, segundo os locais, não é consumido por eles. Esta é a saída para distorcer a visão sob a tensão racial em White Material.
O único canal que assume a voz dos “rebeldes” é uma estação de rádio que toca música jamaicana e assume postura radical sobre os conflitos. Maria e sua família, composta apenas por brancos podem atrair a segurança e reiniciar o banho de sangue. Maria representa a coragem. André, seu ex-marido, a submissão. O filho deles, a personificação da situação por completo. A linguagem cinematográfica de Claire Denis parece empacotada na plástica, mas não é. A câmera na mão seria uma saída fácil para aumentar essa tensão, mas nas mãos da diretora, o dispositivo serve para captar uma silenciosa catarse.
Nas brechas é que a diretora constrói o emocional dos personagens e no último ato solta o pino da granada. Imprevisível e sem um senso de justiça – como a vida é – Denis explora os dois extremos da moeda. Não existe bandido e mocinho. Muito menos o que é certo e errado numa guerra onde a tensão racial está acima de qualquer ato. Ordinário apenas na casca e por alimentar uma narrativa linear, o longa guarda em muitas sequências sugestões para bons e longos momentos contemplativos.
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WHITE MATERIAL (Idem, França, 2009) Direção: Claire Denis Roteiro: Claire Denis e Marie N’Diaye Elenco: Isabelle Huppert, Christophe Lambert, Nicolas Duvauchelle, William Dadylam Duração: 100 min
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Tags: Críticas, Mostra Indie 2010




Se tem Huppert, vale a pena.
Adoro a Isabelle Hupert, ela com certeza marca a diferença no filme!
Gosto dela também.
"White Material" é denso em seu clima de conflitos raciais, onde crianças andam armadas e agem impiedosamente como rebeldes na guerra civil.
Vimos o apego emocional de Maria à terra, legado de tres gerações. Interessante: uma geração que não pertence, consanguíneo, à Maria e sim, à geração de seu marido.
O filho de Maria, após ser vítima desse grupo, ao despí-lo completamente, perde aquela visão de alienado, apático…Torna-se, tb, um rebelde (aos meus olhos, uma rebeldia contra a sua própria família)
Maria não quer acreditar que o filho "enlouquece".
A cena final é supreendente.
White Material nada mais que é uma silenciosa catarse de uma minoria. E Denis fugiu bem da previsibilidade para contar essa história.
Tenho grande curiosidade pelo cinema de Denis e Huppert fascina. Já li outra opinião sobre esse filme ainda mais exaltadamente positiva. Espero que não leve muito tempo pra sair em DVD.