Festival do Rio: The Killer Inside Me / Nossa Vida Exposta

Quanto pesa um trauma acerca da imposição social de manter a límpida imagem da sanidade? A adaptação do livro de Jim Thompson pelas lentes de Michael Winterbottom busca satirizar a utopia americana através de consequências brutais em The Killer Inside Me. O paralelo entre o tempo registrado em cena, marcado pelo conservadorismo com a crescente violência e a falsa liberdade dos dias atuais está em brechas dos belíssimos diálogos.
A corda que cada vez mais aperta o pescoço do xerife Lou Ford (Casey Affleck) após um premeditado e ganancioso crime pode servir como uma instigante trama onde remorsos e interesses falam mais alto, mas é ofuscada perto da rica analogia social feita pelo diretor, que consegue abstrair julgamentos finais para debochar de seu protagonista. Por vezes silencioso e discreto, por outras, explora o lado oposto. Em ambos é bem sucedido por manter uma leveza narrativa.
A opção é inteiramente do espectador. Se julga ou não, se analisa uma unidade ou um personagem e uma narrativa ou uma situação completa. Enquanto monta um labirinto para uma redenção que alimentaria muito mais o ego do que a alma de Lou Ford, Winterbottom utiliza-se de diversos elementos para, apenas, “sugerir” um culpado desta história num dos encerramentos mais incríveis do ano.
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THE KILLER INSIDE ME (Idem, EUA/Suécia/Inglaterra/Canadá, 2010) Direção: Michael Winterbottom Roteiro: John Curran Elenco: Casey Affleck, Jessica Alba, Kate Hudson, Ned Beatty Duração: 120 min

Josh Harris abusava do seu “dom” visionário. Criou o primeiro canal de TV em transmição via internet e tinha total conhecimento do cunho anárquico deste dispositivo. Seu plano era derrubar as grandes emissoras que ainda não tinham assimilado a importância da rede internacional de computadores. Nossa Vida Exposta, filme que ganhou o prêmio de melhor documentário em Sundance, mostra que ao mesmo tempo, a mente de Harris buscava analisar uma geração antes do lucro. O que, logicamente não acabou em boa coisa.
Harris acabou num experimento que batiza o filme. Era uma espécie de vídeo-arte com Big Brother. O lado “arte” do projeto estava nas instalações surrealistas e na idéia de utilizar humanos como objetos de análise. E como o próprio dono, suas cobaias confundiram as coisas. A partir daí, a diretora Ondi Timoner nos dá a chance de estudar o comportamento de um homem que fazia o mesmo a partir da quebra de privacidade, que é a maior característica da última década, seja pela TV, pelo telefone ou computador. Um tempo depois, passou a transmitir sua vida em tempo real pela internet através de câmeras instaladas em todos os cantos de sua casa.
Apesar de ser extremamente figurativo e até didático em certos momentos, o filme de Timoner é rico por não usar seu personagem como influência e sim de grande vulnerabilidade, atrás de todo o poder e tendência que ele representou. Seus traumas pré e pós a experiência são colocadas num formato de fácil assimilação, pois transformam o modelo documental em narrativa.
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NOSSA VIDA EXPOSTA (We Live In Public, EUA, 2009) Direção: Ondi Timoner Roteiro: Ondi Timoner Elenco: Josh Harris, Tom Harris, Carlos Alvarez, David Amron Duração: 88 min
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Tags: Críticas, Festival do Rio 2010




Bela atuação de Casey Affleck hein? Merece ser nomeado ao Oscar. Um filmaço.
Gostei da atuação também. Não sei se chega ao Oscar, mas está ausente o bastante da própria figura para amarmos e odiarmos seu personagem ao mesmo tempo.
Também acho!
Tenho amigos virtuais que já viram "The Killer Inside Me" e as reações foram distintas. Uns acharam uma maravilha assim como você. Já outros consideram uma bobagem. Não sou fã do cinema de Michael Winterbottom, mas assistirei ao filme, cuja provável brutalidade me deixou curioso.
Gostei do "amigos virtuais" hhehe. Eu achei sensacional e sou fã do Winterbottom.