Festival do Rio: Carlos / The Runaways – Garotas do Rock

Carlos é uma epopéia dirigida por Olivier Assayas que dura nada menos que 330 minutos e segue uma cartilha narrativa de filmes de máfia. Muitos personagens, alguns entrelaces e um silencioso conflito interno do protagonista que batiza o filme, um marxista que lutava por qualquer causa ou ideal político e religioso que lhe fosse pertinente.
O mais interessante da cinebiografia – que deve ser encarada paradoxalmente como uma obra cem por cento ficcional, segundo o próprio diretor – do militante é como o ego, silenciosamente, domina a personalidade de Carlos. Aparentemente ele nunca deixou de ser um comunista fervoroso, mas inconscientemente buscava uma nova glória, aquela que grandes políticos e sistemas de segurança poderiam lhe dar, representada por fugas grandiosas após ataques nem sempre bem sucedidos.
Durante as cinco horas e meia Assayas tem grande domínio sobre o ritmo narrativo e não cansa, no geral. Chega até apelar para elipses para não nos encher de informações desnecessárias. Em tese, o filme é sobre um período de ascensão e queda de um mito, um suposto herói que poderia ser confundido como um baderneiro por não seguir um só ideal.
Lógico que existem tropeços dentro da grandiosidade do projeto (que foi dividido pelo Canal+ da França em cinco capítulos para virar uma mini-série ou uma trilogia cinematográfica). Assayas não consegue transparecer e enaltecer a equivalência emocional entre o espírito de liderança de Carlos e a sua falta de coragem para exercer tal cargo verdadeiramente. No epílogo, quando o diretor analisa as consequências de uma vida regada a decisões urgentes e sempre em estado de atenção, se distancia mais ainda de seu protagonista. Talvez para reforçar a postura de homem imbatível, mas para nós espectadores, fica a sensação de que não mergulhamos de fato no íntimo do personagem.
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CARLOS (Idem, França/Alemanha, 2010) Direção: Olivier Assayas Roteiro: Dan Franck e Olivier Assayas Elenco: Édgar Ramirez, Alexander Scheer, Alejandro Arroyo, Juana Costa Duração: 330 min
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Tags: Críticas, Festival do Rio 2010




Legal ler elogios à "The Runaways", um filme que estou interessado em conferir. Este "Carlos" eu não conhecia, mas gostei do que li.
Acho que é um filme que funciona por macetes e não por dedicação. Uma pena. De qualquer forma, entretem.
Legal sua perspectiva…