À Prova de Morte

17 de julho por Pedro Tavares | 8 comentários

Texto por Cauli Fernandes

Existem aqueles que viram À Prova de Morte na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo ou no Festival do Rio em 2007 e existem aqueles que esperaram pela estreia oficial no cinema brasileiro. Quem se encaixa no último grupo teve que esperar alguma distribuidora brasileira se pôr a trabalhar para colocar os filmes nas telas. Mas, depois do lucro de Bastardos Inglórios, não foi difícil alguém se mexer pra colocar os EUA com ares de anos 70 que Quentin Tarantino filmou com tanto esmero.

Nesta imensa brincadeira que o diretor nos propõe, temos o serial killer Stuntman Mike, possuidor de um carro à prova de morte que usa para perseguir e matar suas presas, todas elas mulheres que passam o dia bebendo, dançando e pensando com quem vão transar. Depois que ele extermina as primeiras “damas” em uma demonstração chocante do poder da máquina que possui, vai atrás de outras mulheres, mas é nesse ponto que a trama vira, pois essas personagens não são tão indefesas quanto as outras, o que desemboca em uma das melhores perseguições de carro da história.

E, no meio disso, temos a destreza de Tarantino para criar, dentro dos seus filmes, um mundo cultural totalmente diferente por meio de referências a filmes trash de ação e artes marciais, histórias em quadrinhos, folhetins policiais e seriados de televisão e, assim, mudar a própria cultura pop atual;  por meio de diálogos, cenários e figurino, ele inventa marcas, lugares e, acima de tudo, personagens, que se gravarão no imaginário de espectadores pela sua originalidade e pelo nonsense delicioso e latente.

Tal característica é fortemente realçada pelo elenco. Kurt Russell faz um Stuntman Mike tosquíssimo, mas de forma alguma isso é uma ofensa; ele não poderia estar mais divertido. O primeiro grupo de “moças” é constituído de atrizes praticamente desconhecidas, mas que cumprem bem o papel de frágeis donzelas; aliás, sem elas, a beleza colisão no final do primeiro ato seria impossível (aquele iluminado fechar de olhos é insano de ótimo). Já no segundo ato, temos as radicais que desvirtuam a história, como Rosario Dawson (ah, Rosario, não olha assim pra mim…), Zöe Bell (dublê de Uma Thurman em Kill Bill) e Tracie Thoms, a louca da casa.

À Prova de Morte é a outra metade do projeto Grindhouse esquematizado por Tarantino junto com Robert Rodriguez, que dirigiu o igualmente genial Planeta Terror. O plano era exibir os dois filmes juntos, mas como o projeto não foi muito bem de bilheteria nos EUA, a aventura pelo cinema B americano foi desmembrada. Mas o ideal ainda está lá; com algum pouco esforço, ainda dá pra se sentir dentro de um drive-in.

5star

À PROVA DE MORTE (Death Proof, EUA, 2007) Direção: Quentin Tarantino Roteiro: Quentin Tarantino Elenco: Kurt Russell, Rose McGowan, Vanessa Ferlito, Zöe Bell, Tracie Thoms, Rosario Dawson Duração: 113 min.

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8 comments

  1. Hoje eu assisto sem falta. Talvez eu seja o mais alucinado dos fãs do Tarantino que já passou por esse blog.

  2. eu estranhei ele só estrear agora, vi o filme no festival do Rio e tinha pensado que já havia estreado.

    Ao contrário do longa de Rodriguez ( que já dá o ar da graça na rede Telecine),eu achei a parte de Tarantino muito mais interessante.

    Ahh eu sou amiga do Mattheus, da cabine de A origem.rs.

    Gostei bastante do blog.

    • Pedro Tavares

      A Europa perdeu os direitos de distribuição por passar os limites de atraso. Eu gosto de ambas as partes. Beijo!

  3. Concordo com tudo sobre esse filme.

  4. Acho que esse filme foi muito injustiçado. Sou fã de Quentin Tarantino, sem dúvidas À Prova de Morte não foi o seu maior trabalho, mas tem humor, violência, ótimas referências e personagens intrigantes. Tudo a ver com Tarantino.

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