Quincas Berro D’Água

18 de maio por Pedro Tavares | 4 comentários

Baseado no livro “A morte e a Morte de Quincas Berro D’Água”, Sérgio Machado busca referências básicas do cinema nacional e do inconsciente popular para compor um cenário ao redor do famoso fanfarrão de Jorge Amado. As influências das chanchadas são explícitas e totalmente compreensíveis, principalmente a identificação com figuras que encontramos pelas ruas, como aquele que goza com reconhecimento alheio e o que troca uma vida regrada pela esbórnia sem remorsos e que logicamente se tornaram prioridades do roteiro.

A trama procura arrancar risos sem que essas intenções sejam tão óbvias, sem tanto sucesso. Salvo alguns momentos, boa parte das presepadas de Quincas e sua trupe não vêm com ajuda de macetes comuns do humor, já que a história é absurda o suficiente para não levarmos a sério seus personagens e que reza a lenda serviu de fonte de inspiração para o hollywoodiano Um Morto Muito Louco.

A história da última noite de Quincas (já morto) pelas ruas da Bahia, não só faz inevitável analogia social quando separa a família de Quincas de seus amigos, mas também é fonte de uma conclusão moral que muitos ainda teimam em negar: família mesmo é a que está perto de você. Esse resgate de um valor primordial, mesmo que habite no subtexto do filme, ganha ares maiores que a veia cômica que oscila entre o total exagero e insinuações à malandragem dos tempos de Vera Cruz. E com todos esses nuances que o filme de Machado esboça, sua narrativa não garante momentos ou sequências memoráveis, mesmo com toda construção propositadamente de personagens caricatos e situações pitorescas.

2star

QUINCAS BERRO D’ÁGUA (Idem, Brasil, 2010) Direção: Sérgio Machado Roteiro: Sérgio Machado Elenco: Paulo José, Mariana Ximenes, Marieta Severo, Vladimir Brichta Duração: 102 min

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4 comments

  1. Jorge Amado me dá certa preguiça, mas confesso que fiquei interessado nessa adaptação de sua obra.

  2. Ana Paula

    O livro é muito bom, espero que o filme nao distorça a história, como sempre fazem…..

    • Pedro Tavares

      Ana, distorcer talvez não seja a palavra certa, mas para adaptar um livro em pouco menos que duas horas é muito trabalhoso. Muitos detalhes ficaram de fora. Depois me diz o que achou do filme…

    • Prezados/as,Machado de Assis saiu uma fanica vez da cidade do Rio de Janeiro, foi duqnao viajou a Petrf3polis. Depois que casou, sua primeira residencia foi aqui na rua da Lapa, em frente a portaria norte do predio onde resido. Anos depois se mudou para o Cosme Velho. Daed o termo, Bruxo do Cosme Velho, imortalizado pelo poema do Carlos Drummond de Andrade. Entre o local da primeira e segunda residencia, localiza-se no bairro do Flamengo, o Largo do Machado, mas esse nome nada tem a ver com Machado de Assis. O nome da prae7a relaciona-se a uma placa de ae7ougue com desenho de um machado que existia no local.Abrae7os,Cao

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