O Brasil em Cartaz

06 de abril por Pedro Tavares | 5 comentários

Chegamos ao tempo em que nós cinéfilos tanto sonhávamos para o cinema nacional. Pelo menos quando o assunto é diversidade. Do cinema feito para as massas, industrial, o surgimento do cinema de gênero até os mais alternativos vencedores de festivais e documentários sobre diversos temas sugerem o momento de afirmarmos mais um passo dado pela sétima arte feita em terras tupiniquins. Alguns filmes em cartaz representam bem tal momento:

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CHICO XAVIER (Idem, Brasil, 2010) de Daniel Filho

Fugindo de uma cartilha comum no cinema nacional, Daniel Filho parece mais preocupado em explorar a linguagem cinematográfica ao posicionar as tramas paralelas de Chico Xavier de uma forma que elas salientem os dons do médium. Tal recurso acaba eliminando da narrativa um lado ainda desconhecido pelo público – Como era Chico em sua intimidade, seus conflitos e fraquezas. Pelas lentes de Daniel Filho, vemos um homem de fé inabalável que tem as palavras e atitudes certas para quebrar qualquer coração. Por outro lado, o filme não se assume como um melodrama mas mantém consciência que é uma obra dirigida às massas.

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OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE (Idem, Brasil/França, 2009) de Esmir Filho

Esmir Filho utiliza uma colônia alemã no Rio Grande do Sul para implicitamente dialogar com uma geração que por falta de oportunidades e com o consequente consumo do tédio, desvaloriza a vida. Alguns desistem. Vegetar também é uma opção. Outros se apóiam em lembranças ou artistas (algo costumeiro entre os adolescentes), aqui representados pela imagem do cantor Bob Dylan – o que também pode criar acusações de oportunismo por parte do diretor. Sempre apoiado num cinema sensorial que enxuga os diálogos, Esmir Filho capta o sentimento de perda em todas suas formas até uma profunda desconstrução da angústia. Mesmo com exageros comuns de um debut diretorial, a obra de Esmir Filho o aponta um futuro promissor.

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INSOLAÇÃO (Idem, Brasil, 2009) de Daniela Thomas e Filipe Hirsch

Baseado em contos russos, Insolação tem como priori seguir os princípios estruturais dessas histórias, ou seja: soltar os fios narrativos, desdramatizar as histórias fragmentadas através de diálogos abstratos – estes que são facilmente justificados pelo delírio causado pelo sol, que atormenta os poucos habitantes que ainda restam em uma cidade desconhecida e vazia  (pontos para a fotografia que desapareceu com os habitantes brasilienses).  O amor é o tema a ser desconstruído pela trama, principalmente  os seus efeitos, questionando a sanidade dos “infectados” por tal sentimento e fazendo um paralelo pelos efeitos do calor. Pena que Daniela Thomas (diretora de filmes como Linha de Passe e Central do Brasil, ao lado de Walter Salles) e Filipe Hirsch – antes companheiros na direção de peças teatrais – parecem perdidos e demonstram suas intenções de maneira redundante.

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RITA CADILLAC – A LADY DO POVO (Idem, Brasil, 2007) de Toni Venturini

Um filme sobre a representação de uma imagem e não pelo o que ela realmente é. Para as lentes de Toni Venturini (Cabra-Cega), a ex-chacrete Rita Cadillac deixa o codinome para virar Rita de Cássia Coutinho, que usa moletom e cabelo preso para andar nas ruas e contar de maneira superficial sua intimidade (Rita é órfã, fez programas, foi ameaçada de morte e foi dada como morta para o seu filho, mas nenhum assunto é realmente estudado a fundo) e relembrar os momentos principais de sua carreira, que convenhamos, são poucos. Dos programas do velho guerreiro Chacrinha, as apresentações no Carandiru e a carreira de atriz pornô, Rita é sucinta em suas palavras e deixa a câmera de Venturini buscar uma profundidade a todo o momento,  sem tanto êxito.

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5 comments

  1. A alternativa será CHICO, mesmo.

  2. Pedro Tavares

    Gustavo, diria pra você ver "Os Famosos e os Duendes da Morte".

  3. Dizem que um blog bom sempre recebe bastante elogios. O seu é então muito bom de fato!

  4. Já visitei seu site antes. Gosto do modelo e conteúdo! Parabéns!

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