Alice no País das Maravilhas

23 de abril por Pedro Tavares | 18 comentários

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Tim Burton representou por muito tempo o que era incomum, rejeitado e subestimado. Seus personagens eram encarnações do que era avesso a um padrão. Por isso, o diretor ganhou o respeito de geeks, freaks, freqüentadores de cineclubes e afins. Da segunda metade dos anos 90 pra cá essa representação foi se diluindo enquanto a força de Burton para ganhar novos fãs vinha diretamente de duas de suas maiores características: A estética sombria e a eterna parceria com o ator Johnny Depp, que se repete em Alice no País das Maravilhas, adaptação do clássico conto de Lewis Carrol.

O mundo macabro de Burton parecia convidativo o bastante para a imersão em três dimensões. Mas tal tecnologia não faz um filme. É preciso o trabalho de sempre para envolver o espectador, ou seja, desenvolver seus personagens, conflitos, o ritmo e uma resolução convincente. No caso, por ser uma adaptação, Burton só deixa explícita a sucumbência da estética sobre o texto, como um truque ilusionista qualquer.

As metáforas e paralelos do conto original são praticamente esquecidos. Seus personagens não são bem desenvolvidos o bastante para fugirem de uma posição caricata. Burton aponta diversas lacunas para uma nova visão sobre o conto de Carrol que não fosse apenas sustentado pelo aspecto visual (bem batido, convenhamos), mas depositou todas as forças do filme nos ombros de Helena Bonham Carter (Rainha Vermelha) e Johnny Depp (Chapeleiro Maluco), que parece uma versão do Capitão Jack Sparrow vestido de Bozo.

Mas nem tudo é tragédia em Alice no País das Maravilhas. Fora as boas atuações, o diretor tem boa noção rítmica e sua montagem é eficiente o bastante para que o filme passe sem que o espectador sinta em demasia a ausência de um texto ao invés de objetos voando da tela e a composição do previsível “estranho mundo de Tim Burton”.

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ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS (Alice in Wonderland, EUA, 2010) Direção: Tim Burton Roteiro: Linda Woolverton Elenco: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway Duração: 108 min

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18 comments

  1. Pelo que vejo, todos estão se decepcionando legal com essa nova obra de Tim Burton. Não sou fã n.º 1 do diretor, mas não deixarei de perder a oportunidade de ver este filme em 3D nos cinemas. Espero que, para mim, o resultado seja ao menos divertido.

  2. Com todas essas críticas, vou demorar a vê-lo.

  3. E qualquer esperança que ainda existia foi por água abaixo… ou não. Apesar das críticas, ta difícil reconhecer que serei decepcionado. Triste..

  4. Assino embaixo de cada palavra! É visível a predominância estética sobre a narrativa não apenas em "Alice…" mas em outros filmes da filmografia de Tim Burton. Achei a odisséia da personagem muito infantilizada, sem grandes efeitos. O filme vai mesmo agradar às crianças e aos próprios fãs de Burton, que pode filmar um ato de defecação, ainda vai ter gene batendo palmas hahahaha!

    abs, Pedro. Gostei do seu blog ^^

  5. Poxa eu tava na expectativa de assistir desde quando começaram a falar sobre esse filme! comentaram tanto que até aumentou a curiosidade de ver.. Vou ver nas telonas essa semana! Eu sempre gostei dos filmes do Burton..espero não me decepcionar com esse, pela sua crítica Pedro!

    Bom, mais só assistindo pra saber mesmo né..Depois eu comento pra dizer se pra mim atingiu ao que eu estava esperando! =)

    Bjãooo Pedro

  6. Não é mais surpresa, parece filme de produtor.

  7. Não é mais surpresa, parece filme de produtor.

  8. Com todas essas críticas, vou demorar a vê-lo.

  9. Vou demorar a vê-lo.

  10. Poxa eu tava na expectativa de assistir desde quando começaram a falar sobre esse filme!

  11. Pedro Tavares

    Alex, pra mim nem como diversão serviu. Só como fonte de tédio mesmo.

    Brenno, o pior é que aconselho a ver no cinema pois sem o 3D a coisa tende a afundar.

    Wally, depois me diz o que achou…

    Elton, pois é, uma pena. Ainda mais vindo de Tim Burton.

    Jeh, fechado!

    Jenson, não acredito que Tim Burton seja um diretor que se curve com facilidade à produtores.

  12. Quando faz superproduções, Burton amacia seu toque característico, desconcentra sua personalidade como autor? Isso tende a acontecer quando os estúdios contratam gente de visão peculiar para tocar enlatados…

  13. Não entendo como alguém que consegue se expressar tão bem como você não tenha compreendido a arte do filme.

    Não gostei muito da sua critica.

    Já assisti mais de cinco vezes cada um dos três Piratas do Caribe e acho um número bom para confirmar com absoluta certeza que (na minha humilde opnião) o Chapeleiro Maluco não tem absolutamente nada de igual com o Capitão Jack Sparrow, a não ser o ator por trás do personagem. Agora se você acha que convém dizer que a única coisa que diferencia os dois é uma 'roupa de Bozo'…

    Antes de assistir a adaptação de Tim Burton, procurei ver o clássico, o desenho da Disney, e PRA MIM o filme não esqueceu as 'metáforas e paralelos', seja lá o que for isso.

    • Pedro Tavares

      Oi Raul, obrigado pela visita e pelas palavras.

      Qual é a sua concepção de compreensão? Isso é algo abstrato demais, por isso é necessário que você entenda que aqui (o blog) é uma forma de expressar uma opinião particular, como em qualquer outro blog ou até numa crítica de jornal. A frase "gosto é gosto" caberia muito bem. Sobre o Chapeleiro Maluco, a afetação de Johnny Depp, pra mim é tão caricata quanto a de Jack Sparrow. É um risco que se corre quando interpreta-se dois personagens que vivem na margem do texto. Sobre as metáforas, acho o filme de Tim Burton bem pobre. Não cabe a mim explicar quais são, mas que os filmes da Disney até evitam em se aprofundar, mas que um diretor mais ousado como Tim Burton poderia fazer.

      []'s

  14. Sou grande fã do Depp! Adorei ele e a esposa do Austronauta. Os filmes do "Piratas do Caribe" são meus favoritos.

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