Um Olhar do Paraíso

Provavelmente nenhum outro tema dê tantas opções para sua desconstrução quanto a morte. Em Um Olhar do Paraíso, Peter Jackson explora a ligação sobrenatural de Susie, uma menina brutalmente assassinada e sua família, mas não sabe bem por qual via seguir para concretizar uma visão sobre o luto e a perda na adaptação da obra de Alice Sebold.
Jackson separa sua trama em dois núcleos de maneira tão brutal que ambos perdem forças. O drama psicológico vivido pela família de Susie tem seus fios narrativos presos à tensão, no qual o diretor chega a criar sequências que remetem ao velho Peter Jackson de Fome Animal. Quando as câmeras se aproximam de Susie, a trama ganha plástica fantasiosa para apresentar o óbvio, que é um novo, mas nada convincente mundo. Dessa vez, nos aproximamos de Jackson conhecido pela trilogia Senhor dos Anéis.
A equivalência desses dois extremos é irregular. Buracos são deixados propositalmente para que esses mundos se completem de forma lírica, mas não evita a pieguice, pois logo onde o filme teria sua força maior – que é a de explorar o desconhecido -, é onde o filme tem suas maiores falhas. A força que a trama onde Mark Wahlberg e Rachel Weisz protagonizam possui é absurdamente superior à tentativa de Jackson de fazer um paralelo da vida e a morte para desconstruir-las de forma contemplativa com toda ajuda da pós-produção.
Mas seria um exagero dizer que Um Olhar do Paraíso é uma sucessão de erros. O filme levanta a discussão sobre males contemporâneos e o valor da vida. Sendo mais claro, o filme acerta justamente quando Jackson resolve largar as amarras do peso de seu passado e busca inovar na sua maneira de fazer cinema.
O filme entra em cartaz na próxima sexta-feira.
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UM OLHAR DO PARAÍSO (The Lovely Bones, EUA/Inglaterra/Nova Zelândia, 2009) Direção: Peter Jackson Roteiro: Fran Walsh, Phillipa Boyens, Peter Jackson Elenco: Mark Wahlberg, Rachel Weisz, Saoirse Ronan, Stanley Tucci Duração: 135 min
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Tags: Críticas, Em Cartaz, Globo de Ouro 2010, Oscar 2010




Em meio à criticas tão cruéis, é refrescante ler uma que é ao menos dividida.
Pedro, tudo bom?
Vou conferir na estéria que será na sexta feira! Deu uma sumida, não?
Abraço!
Eu também acho que na procura de dá ao roteiro um tom grandioso nas duas histórias enfraqueceu tudo. Enfim, das atuações só gostei da Saoirse e do Tucci (mas esse um pouco caricato), o visual é bonito mas exagerado, Mark e Rachel tem atitudes inverossímeis e o final do vilão é risível, mas acho que tem poucos méritos que façam vale a pena mesmo
Wally, não vejo o filme como um grande fracasso como disse na resenha. Depois me diz o que achou…
Cleber, sumi? To sempre por aqui hehe.
Luis, concordo.
abraços!
Ainda não vi, mas já li alguns artigos criticando, inclusive um blog gringo colocou o filme entre os piores do ano passado… Bem, Peter Jackson é sempre um evento… quero ver apesar dos pesares…