Salve Geral

Em certo momento de Salve Geral, Sergio Rezende diz que não quer ser juiz da história que dirige. História essa que nós espectadores já estamos cansados de ver, mas que estarão em pauta pelo tempo necessário para que o caos esteja apenas no passado. Mas em filmes como esse, tender para um lado da moeda é necessário? A visão de Rezende é a concretização de um caótico espetáculo criado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) no dia das mães de 2006, em São Paulo.
Essa escolha é o maior acerto em seu filme, pois não fica claro se Salve Geral se apóia em um evento verídico para criar um drama que cria reflexões que vão além de uma história de violência ou se a intenção maior é fazer um manifesto sobre a corrupção que ronda o crime que pode ser chamado de “organizado” com louvor. Essa dúvida evita um olhar mais ríspido sobre a obra, mas seja lá qual for o filme possui irregularidades em ambas as intenções.
Todo esquema de corrupção do “bem” e do “mau” vem num só pacote, onde eles se confundem e exaltam essa noção de igualdade no que diz respeito ao julgamento vindo do espectador. Esse esquema dura o filme inteiro, enquanto Rezende faz um pequeno paralelo do drama de uma mãe que é inserida na “atividade”, que por amor ao seu filho, faz alguns favores em troca de uma vida mais confortável para ele dentro do sistema carcerário.
A partir daí, sentimentos comuns de todos os pólos do texto são desconstruídos com base na ganância, que logicamente rege a guerra do narcotráfico e mantém a corrupção policial. Rezende prefere não estudar isso profundamente como Tropa de Elite faz e se foca em manter uma narrativa que abrace o grande elenco com cenas que possuem começo, meio e fim.
Por outro lado, é explícita a dificuldade de uma resolução geral que não se prenda a detalhes deixados durante o filme, prolongando sua duração e criando a inevitável sensação de que o longa começa a se arrastar até o seu clímax, logicamente focado no evento que alimenta toda sua narrativa, mas que não tem a força necessária para justificar e suportar o que Rezende fez questão de esconder por toda sua duração.
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SALVE GERAL (Idem, Brasil, 2009) Direção: Sergio Rezende Roteiro: Patrícia Andrade e Sergio Rezende Elenco: Andrea Beltrão, Denise Weinberg, Lee Thalor, Chris Couto Duração: 119 min
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Tags: Cinema Nacional, Críticas



Bom saber que o filme não é de todo ruim… Estou curioso.