Eu Matei Minha Mãe

02 de outubro por Pedro Tavares | 11 comentários

A mãe que provoca o filho. O filho que não se esforça para entender a carência da mãe. Em Eu Matei a Minha Mãe, o que vemos é uma relação contemporânea usando a urgência de se obter respostas e de se adaptar a realidades distintas, que obviamente calham em explosivos conflitos.

O embate entre os dois é intenso e diário. Um tenta manipular o comportamento do outro através de chantagens emocionais e com o efeito da culpa. Os abismos da idade e de costumes só exaltam a sensação de asco de Hubert pela mãe. Ele abriga em sua mente uma confusa relação com sua mãe, enquanto vive uma época de descobertas. A mãe parece distante de ter um sentimento materno. Hubert se sente a vontade na casa de seu namorado, mas também carrega um sentimento avesso quando vê sua sogra feliz, mantendo um harmonioso lar.

A manipulação de Chantale às vezes passa da pré-destinação. O cotidiano serve de trampolim para mais uma explosiva briga. A relação entre os dois oscila entre a mais ofensiva discussão ao repentino acordo de paz, concedida sem esforço de palavras feitas para selar tal amor entre mãe e filho com cenas artesanais sem elementos artificiais e outras que seguem a cartilha oposta. O talento na direção de Xavier Dolan é exaltado por dividir a câmera e o posto de protagonista do filme com louvor. O texto também escrito por Dolan garante a dinâmica do filme, enquanto a estética tem resultado irregular.

Neste martírio diário, ambos tentam se livrar ou acertar as contas a sua maneira. Enquanto Hubert vive o ápice de sua juventude, Chantale parece usar de saídas mais urgentes para não se render a um pensamento depreciativo. A latente pergunta de Eu Matei a Minha Mãe é: Hubert não está preparado para se relacionar com pessoas que vivem outra realidade ou sua mãe que não está preparada, mesmo dezessete anos depois para criar um filho?

3half

EU MATEI A MINHA MÃE (J’ai Tué Ma Mère, Canadá, 2009) Direção: Xavier Dolan Roteiro: Xavier Dolan Elenco: Xavier Dolan, Anne Dorval, François Arnaud, Patricia Tuslane Duração: 100 min

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11 comments

  1. Parece suficientemente interessante.

  2. Kau Oliveira

    Eu tenho alguns problemas com o cinema canadense, mas fiquei chocado com a premissa deste filme. É o tipo de fita que me atrai por conter um roteiro forte.

    Abs!

  3. Acho que você vai gostar sim, Kau. abs!

  4. Não conhecia a fita, mas parece uma historia interessante e forte.

    Abraço!!!

  5. estou louco para ver esse filme!

  6. Adorei cada momento do filme!

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