Almas à Venda

Quem nunca sentiu indisposição apenas por ter o peso de sua alma? Ou uma fadiga espiritual? Aliado a estafa física e psico, Paul Giamatti resolve entregar os pontos para a ciência em Eu, Ela e Minha Alma, filme que carrega o argumento perfeito para um denso drama, mas Sophie Bartes faz o caminho oposto e insere doses de humor despretensioso no texto e consegue uma boa equivalência de gêneros, mas tem sérios problemas para manter esta continuidade por todo filme.
O filme é uma sucessão de grandes erros e acertos. Ele questiona como apenas “levamos” a vida e como a tratamos com tamanho desdém. Giamatti (vivendo ele mesmo…argh!) se livra de sua alma para dar continuidade em uma peça de Tchekov, algo que a dita cuja o impedira anteriormente. Com efeito fantasioso, nada melhor que rir do cotidiano do ator para novamente manter uma média com a realidade. O humor usado por Bartes é tão inocente que as vezes, o riso é de pena.
Se sentindo vazio, a saída é se apossar de uma alma alheia. Sobra para uma poeta russa. O desenrolar de Eu, Ela e Minha Alma é linear, sem desembaralhar a construção, algo que o similar - intensamente lembrado durante o filme – Charlie Kaufman faria em algum momento oportuno para não deixar o filme cair no tédio. Bartes ainda tem problemas para domar a narrativa e como pontuar os momentos certos para posicionar as viradas do roteiro. Outro ponto ausente é a ação interna de Giamatti, que com tantos problemas para trocar de alma, não tem os mesmos estudados à fundo.
Neste processo de criticar a contemporaneidade entre uma piadinha e outra peca pela originalidade. Giamatti está bem, se esforça, mas o resto do elenco não parece em sintonia com o protagonista. Vale pela tentativa de Bartes, mas escorrega em erros bobos.
![]()
ALMAS À VENDA (Cold Souls, EUA, 2008) Direção: Sophie Bartes Roteiro: Sophie Bartes Elenco: Paul Giamatti, Dina Korzun, Emily Watson, Katheryn Winnick Duração: 101 min
Posts relacionados:
Tags: Críticas, Festival do Rio 2009, Inéditos



Poxa, é um desperdicio isso.
Esse filme tem um cartaz super legal, mas não tem agradado quase ninguém, justamente por não saber controlar essa tal originalidade.
O cartaz é bacana, mas se vc perceber, também dá a entender que se trata de um filme alá Charlie Kaufmann…
Uma pena, pois o filme tinha tudo para ser ótimo. E que péssimo título traduzido não? Mais um para a coleção.
Rapaz, eu não fazia a mínima idéia de que se tratava de COLD SOULS. Que vexame esse título! E eu tava botando fé nesse filme…
Pois é, mais um "belo" título…
Poxa, eu esperava BEM mais do filme. Adoro Giamatti.
E que título tosco…
Pena, tinha esperanças de que fosse ser um cult no nível de algum Kaufman.