Distrito 9

Estamos em um tempo que colhemos os frutos do governo de George W. Bush e o cinema como um espelho comum, pipoca produções que criticam explicita ou elegantemente as escolhas do ex-presidente americano. O estreante Neill Blomkamp abrange um pouco a visão destas críticas sociais para todos os lados do globo em Distrito 9.
As escolhas do diretor são sensatas; ele foge de algum estado americano para estudar uma situação caótica (o filme se passa em Joanesburgo) e faz analogias políticas e comportamentais numa espécie de causa e conseqüência mútua. Se o diretor não faz o pessimismo dominar o texto do longa, é certo que o espectador será o catalisador dessa idéia, pois, como disse antes, o cinema é um espelho. As intenções do filme são bem claras e funcionais, principalmente quando o filme adota uma linguagem documental, que é predominante em seus minutos iniciais.
Mas quando o longa veste a camisa da ficção cientifica, suas idéias inovadoras parecem fugir de mão, desencadeando uma construção com resoluções hollywoodianas. Este lugar comum com outras produções do gênero colocam Distrito 9 e todo seu discurso numa posição delicada, correndo risco de ser sugado enquanto Wikus Van De Merwe (vivido pelo ator Sharlto Copley em ótima atuação) luta para sair de um sistema sem compaixão de forma saturada.
Talvez a linearidade no que diz respeito à inovação de linguagem seria o grande trampolim para Distrito 9 ser um dos grandes filmes do ano, mas enquanto ele segue uma narrativa ordinária com saídas batidas, o longa de Blomkamp perde todo seu peso ideológico e conseqüentemente sua força.
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TEXTO POR PETER AZEN
Distrito 9, o primeiro longa-metragem do sul-africano Neill Blomkamp e produzido por ninguém menos que Peter Jackson (Senhor dos Anéis), traz uma fraca crítica ao apartheid com a chegada de alienígenas na África do Sul.
O filme conta a historia de Wilkus Van De Merwe, empregado da empresa Multi-National United (MNU) que explora e restringe os alienígenas, chegados há mais de 20 anos na Terra, em uma favela chamada Distrito 9. O desengonçado e ingênuo Wilkus é promovido a inspecionar a favela e acaba encontrando um frasco com um liquido que o contamina. Horas depois ele começa uma mutação e quando a MNU descobre que com a mutação ele consegue usar as armas dos alienígenas e vira alvo de suas experiências. Ele consegue escapar para o Distrito 9 e encontra um camarão, apelido dos alienígenas, que tem o estranho nome humano de Christopher Johnson, que tem como salva-lo, mas para isso, ele precisa recuperar o frasco da MNU.
O personagem principal tendo um nome Holandês, já é a primeira critica ao apartheid e continua pelo nome da favela em que os alienígenas são obrigados a morar. Distrito 9 é baseado no Distrito 6, que foi uma favela aonde os pobres moravam em Joanesburgo e foi demolida pelo governo, que teve que relocar seus moradores para uma localização ainda pior. O filme começa a trazer os problemas sociais da favela e os atritos, exploração e racismo encontrados na cidade, mas logo se perde nesse aspecto.
Minutos depois do inicio, o falso documentário fica confuso e constantemente muda de formato. Buracos na historia podem ser encontrados com freqüência e a falta de uma explicação mais concreta de como os humanos conseguiram dominar os tão poderosos alienígenas enfraquece bastante o filme. O fato de precisar de um humano pra fazer uma rebelião anula a critica social do filme e nos traz aos últimos 40 minutos que são completamente dispensáveis. Apos a terceira das quinhentas vezes em que o sangue é esparramado pela tela, o efeito que já foi usado em vários outros filmes fica envelhecido e chega a irritar.
Distrito 9 podia trazer algo novo ao cinema, pois é uma mega-produção de ficção cientifica não-Hollywoodiana com uma critica social, mas infelizmente acaba sendo dominado pelo testosterona do cinema pipoca e seus efeitos digitais.
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DISTRITO 9 (District 9, EUA/Nova Zelândia, 2009) Direção: Neill Blomkamp Roteiro: Neill Blomkamp e Terri Tatchell Elenco: Sharlto Copley, Jason Cope, Nathalie Boltt, John Summer Duração: 112 min
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Tags: Críticas, Festival do Rio 2009




Poxa, seus comentários me desanimaram… Sou fã do gênero e estava esperando algo muito inovador.
Achei o filme MUITO abaixo das minhas expectativas. Infelizmente, apostava num filmão…
Uma outra visão, interessante. Mas espero discordar, rsrs.
Fernando, eu também…O Peter já havia me dito isso quando assistiu o filme nos EUA. Esperava "O" filme.
Dou 5 estrelas.
Não curti…os ETS parecem q foram feitos de jornal pow! pra mim…muito mal feito..nem assistir..tudo! hehehe
Eu achei o filme extremamente elementar, se não fosse a temática, não sei o que seria dele. Recomendo que as pessoas o vejam em casa, ir ao cinema para vê-lo não será uma boa experiência, ainda mais quando vi nesse ano, Bastardos Inglórios. Nem boas perfomances consegui encontrar, como alguns festejam.
Abraço.
Does anybody know if they have a youtube channel? I guess it would be nice to see some videos.