Nome Próprio

15 de julho por Pedro Tavares | 13 comentários

Nos tempos em que a inquietude pela sobrevivência é retratada com certa intensidade por cineastas, nada parece ser tão particular como Nome Próprio de Murilo Salles, que parece estar sempre à frente de seu tempo, em um discurso que provavelmente será inserido ao costume de cineastas brasileiros.

Camila, uma garota que após o fim de um intenso relacionamento, completamente perdida, faz textos explícitos e venenosos sobre sua vida e os posta em seu blog, dando a aba necessária para uma guerra de nervos e também para o foco dramático, vivido basicamente dentro da mente da garota. Com o livre acesso à vida alheia proporcionado pela internet, o posto de web celebridade que é logo recebido por Camila que não parece administrar seus conflitos e o novo rótulo e o coloca em um patamar que para ultrapassá-lo, é necessário tornar seus sonhos em uma realidade urgente.

Camila não mede esforços para viver e queimar seus cigarros intensamente que parecem palpáveis através dos jogos de câmera e planos escolhidos para domar sua egocêntrica queda. Quando está longe do computador, a escolha é apodrecer o seu corpo, como a protagonista diz. É uma experiência necessária para disparar sua metralhadora que são seus dedos perto de um teclado, mesmo que por isso ela tenha que destruir e seja destruída, o exercício de fazer sua mente brilhar enquanto o corpo morre.

Nessa instiga inquietante, a busca em seu subtexto é pela identidade.  Qual é o verdadeiro ‘eu’ de Camila? A infantil, birrenta e autodestrutiva ou a que preza pela preservação e um trabalho que é capaz de se relacionar tão intimamente que despe Camila enumeras vezes e de maneiras tão distintas? Nome Próprio é um fiel retrato contemporâneo sobre um seleto grupo que afirma viver a vida, mostrando o gozo de uma vida perfeita, mas que parece estar procurando a real identidade e que na primeira ponta de esperança que aparece, apostam tudo, mesmo sabendo que essa ponta irá se apagar a qualquer momento.

NOME PRÓPRIO (Idem, Brasil, 2008) Direção: Murilo Salles Roteiro: Melanie Dimantas, Elena Soarez, Murilo Salles e Clarah Averbuck Elenco: Leandra Leal,  Juliano Cazaré, Rosanne Mulholland, Alex Didier Duração: 120 min

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13 comments

  1. Assessoria de Imprensa Cel.U.Cine | Oi TelecomOlá Equipe de Cinema O Rama, boa tarde ! O Festival Cel.U.Cine de micrometragem em parceria com a Oi Telecom já está na 3° etapa e é um sucesso. O Tema da nova etapa é “De arrepiar” e as inscrições vão até 27 de Julho. Gostaríamos de enviar à voces o novo release desta 3° etapa do festival, sob o tema “De Arrepiar”. Ficamos agradecidos retornando este email para nós. Desde já, nosso muito obrigado! Assessoria Festival Cel.U.Cine de Micrometragem | Oi Telecom | http://www.celucine.com.br/index.php

  2. Pedro Tavares

    Valeu pela notícia!

  3. F. Pellicer

    Queria taaaanto ver esse filme! Já procurei ele em todos os cantos… Onde voce conseguiu? Se souber como pela net, me d a um toque!Abraço

  4. pedro tavares

    F, acho que rola um torrent por ai sim. Ele só saiu agora em DVD, mas o torrent aparece em questão de segundos. abraço

  5. Natália A.

    Vou procurar o torrent. É que to tão cheia de filmes pra ver, rs.

  6. Vinícius P.

    Dizem que o melhor desse filme é a atuação da Leandra Leal, por isso mesmo fiquei curioso de ver, já que adoro a atriz. Tirando isso, o tema do longa também chama minha atenção.

  7. Pedro, para mim, "Nome Próprio" foi um dos melhores filmes nacionais do ano passado. A Leandra Leal está estupenda como a personagem principal e acho que o longa fala muito a respeito da nossa busca por uma identidade, por algo que nos defina.

  8. receioderemorso

    Boas observações, rapaz. (Y) Eu gostei do filme, é interessante, mas quando terminou a sessão eu não sabia muito o que pensar, talvez mesmo por essa identidade tão buscada não ter sido muito bem encontrada. Só tive certeza que a Leandra Leal é uma atriz de primeira.[]s!

  9. Gustavo H.R.

    Francamente, é a primeira vez que leio sobre o filme com interesse renovado, pois as matérias que sairam nos jornais quando lançaram fizeram-no parecer uma grande chatice.

  10. Pedro Tavares

    Kamila, a atuação de Leandra Leal é incrível. Essa busca da identidade atrofiada na confusão por uma essa dignidade imposta é o grande trunfo do texto do longa. Jeff, valeu pela visita! Muito tempo que não o via por aqui hehe. Acho que a cena final do filme mostra como essa identidade pode ser encontrada.Gustavo, muito obrigado! Veja o filme, pois o que você leu não é compatível com a qualidade do longa de Murilo Salles. abraços!

  11. Jeniss Walker

    esse ainda não vi. sua critica ficou joia. tinha visto algumas outras boas referências a respeito da fita. espero ve-la o quanto antes.abraço

  12. Bruno Pongas

    Ainda nao assisti, mas parece um bom filme…

  13. Cintia de Sá

    Esse filme ficou no meu sangue por muito tempo. A palavra com que o defino é "caos". E prefiro pensar que a Camila tresloucada é virtual, a ficção que a Camila real escrevia. Uma se reflete na outra, mas a criação de um personagem te possibilita a experimentação, um ensaio virtual… pronto, viajei!

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