Budapeste

29 de maio por Pedro Tavares | 9 comentários

Quando se trata de adaptações de livros, raramente algum filme consegue chegar perto da qualidade da obra literária, não só pela riqueza de detalhes que o livro trás, mas também pela questão da interpretação do diretor e a forma de se construir tais idéias em imagens.

Em Budapeste, Walter Carvalho – mais conhecido como diretor de fotografia de filmes como Carandiru, Central do Brasil e outros filmes bem sucedidos por aqui – mostra claros problemas para conduzir o que Chico Buarque colocou através das palavras e o exercício de metalinguagem.

Partindo do conceito que é uma história narrada em primeira pessoa, mas aparentemente conduzida por alguém que não existe, já que o personagem de José Costa, interpretado por Leonardo Medeiros é um escritor fantasma (escritor que dá a autoria de sua obra encomendada a quem o paga), o filme tenta parecer como uma viagem introspectiva da crise de um homem, sobre reconhecer e ser reconhecido.

A verdade é que o filme oscila bastante nas propostas e nesta confusão, ele por vezes parece bem artificial e moldado até demais. Existe uma proximidade maior com o cinema argentino ou europeu pela linguagem cinematográfica e narrativa, mas é uma escolha ordinária, caindo na previsibilidade diversas vezes, apesar de alguns acertos aqui ou ali.

Por mais que o projeto pareça ousado, o que falta no filme é ousadia. Em seu último ato, o filme coloca em prática a metalinguagem e parece funcionar melhor, mas não consegue tirar o peso colocado por todo o resto completamente.

Faltou ao filme uma clareza maior para guiar o espectador sobre o que é o texto e o que é a realidade do personagem. Pois, o espectador pode seguir um fio condutor e parar em algum ponto, confuso e em seu último plano, achar que se trata de uma piada. Talvez com um pouco mais de ousadia e clareza entre o texto, o filme teria funcionado de uma forma mais eficaz.

BUDAPESTE (Budapest, Brasil/Hungria/Portugal, 2009) Direção: Walter Carvalho Roteiro: Rita Buzzar Elenco: Leonardo Medeiros, Gabriella Hámori, Giovanna Antonelli, Antonie Kamerling Duração: 113 min

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9 comments

  1. paulafreitas

    Eu quero ver mais pelo Leonardo Medeiros do q pela história, acho ele um puta ator, que sinceramente acho que do porte dele é mt dificil de achar no elenco nacional.

  2. Natália A.

    Minha amiga entrevistou ontem: Leandro Medeiros, Walter Carvalho e Fernando Meirelles.Quero ver o filme ainda.=]

  3. Marcel Gois

    Eu não estou com boas expectativas para esse filme, tenho curiosidade de assistir por que nunca tive nenhum contato com a obra literária de Chico Buarque e por que gosto do trabalho do Leonardo Medeiros.

  4. Pedro Tavares

    O Leonardo está bem no filme, mas já vi perfomances melhores dele.

  5. Normalmente eu gosto de adaptações de livros – apesar de não ser a mesma coisa .Gostei da sugestão :) :*

  6. •. C?????! . -

    Espero esse em DVD!

  7. Fred Burle

    A impressão blazê sobre o filme parece ser geral.Continuo não gostando dessa discussão se o livro ou o filme é melhor, mas realmente faltou ousadia para impôr um dinamismo maior à história nas telas. No livro, esse dinamismo não se fez necessário, mas a experiência no cinema pede isso, senão fica um programa muito insosso. E foi o que aconteceu com essa superprodução.E achei o Leonardo Medeiros muito bem, ainda mais levando-se em conta de que ele teve que "decorar" todas as falas em húngaro, sem saber falar a língua. Se virou muito bem.

  8. Vinícius P.

    Realmente ninguém falou muito bem desse filme, parece que essa versão para o cinema foi totalmente equivocada. Pena que o Walter Carvalho não conseguiu fazer um bom trabalho nesse filme…

  9. pedro tavares

    K, tbm gosto de adaptações, não tenho muitos problemas com isso.Cleber, faz bem! rsFred, concordo com você sobre a construção do filme. Mas o Leonardo teve que aprender húngaro durante a pré-produção.Vinícius, não diria totalmente equivocada, mas possui erros banais…[]'s

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