Querô
Vítima da má distribuição e da pouca divulgação, a estréia de Carlos Cortez na direção em Querô, filme baseado na obra de Plínio Marcos, não foi conferida em massa em seu lançamento em 2007, mas agora com o atrasadíssimo lançamento em DVD, o filme pode fazer a justiça que lhe foi guardada.
O Brasil é um país marcado pela desigualdade social e a óbvia conseqüência que nos gera roteiros polêmicos e intrigantes. Da consagração de Cidade de Deus até Última Parada 174, a saturação foi apenas uma questão de tempo. Querô é mais um registro da desigualdade social e da falta de oportunidade dos jovens que são ‘obrigados’ a tomar certas atitudes para sobreviver. Filho de prostituta e criado pela dona do prostíbulo, o garoto foi abandonado no mesmo dia do suicídio da mãe. O foco não é o drama que já vemos nos jornais todos os dias e sim, o que acontece após um assalto mal sucedido.Carlos Cortez consegue nos distanciar do personagem e da história, sem exageros romanceados, talvez por acidente, pois vemos um diretor ainda sem muitas saídas e pouca ousadia e que ainda não se aprimorou com a técnica cinematográfica para comandar sua equipe, principalmente a de som. Mas o que importa é que não criamos laços e nem pena de nada, algo que, por exemplo, Bruno Barreto quase nos enfia goela abaixo em 174 sem dar outra opção para a platéia.
Sem pena ou vínculos, vemos o garoto ir contra a maré do sistema. Batendo de frente com os garotos da FEBEM e dos carcereiros, que levam o garoto a conseqüências angustiantes e envolventes de se assistir e que sabemos que acontece, mesmo para quem mora na lua. Só faltava alguém ter a coragem de mostrar sem parecer uma novela da Globo.
O que na verdade Querô procurava era o que todos nós sempre usamos como base de sobrevivência, não como um escape básico para momentos de desespero. Para tal realização precisamos passar por provações e termos sonhos, algo concreto para seguirmos. O debate social pode continuar após a sessão do filme, basta você saber se ainda tem paciência para essa discussão sem fim após tantos filmes com o mesmo tema.
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Carlos Cortez e Braúlio Mantovani Elenco: Maxwell Nascimento, Aílton Graça, Milhem Cortaz, Maria Luísa Mendonça Duração: 88 min
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Tags: Cinema Nacional, Críticas



