Iron Maiden: Flight 666

22 de abril por Pedro Tavares | 8 comentários

A relação entre o grupo Iron Maiden e seus fãs é transcendental e o susto das pessoas que passavam pela fila antes da sessão começar não era exagero. Para quem tem noção da importância do grupo e o que a donzela de ferro pode fazer com seus fãs, é algo chocante mesmo assim. E é deste choque que assistir Iron Maiden: Flight 666 é mais que uma experiência cinematográfica, é algo único, pois a potência do filme não vem só da tela e sim, do que está na frente dela, algo que beira o cômico por tamanha demonstração de amor. O filme teve sua estréia programada para o dia 21 de abril, mais conhecido por “Maiden Day” pelos fãs.

Também não é para pouco: Mais de trinta anos de carreira, milhões de discos vendidos, pouca divulgação da mídia, muito amor e dedicação pela música que fez o Iron Maiden alcançar um patamar que pudesse bancar o seu próprio avião e assim, cortar custos da turnê Somewhere Back In Time, no qual a banda tocava apenas músicas mais antigas para uma platéia que sempre se renova. Com o próprio avião, a banda levava seus equipamentos, equipe e um piloto muito excêntrico: O vocalista Bruce Dickinson.

E é nesta turnê que o antropólogo e metaleiro Sam Dunn (diretor do interessante e didático Metal e do excelente Global Metal) aproxima a banda e o cotidiano da turnê de 45 dias – que passou por 21 cidades – do público e da importância da banda para os headbangers, que por vezes extrapolam os limites, como na Costa Rica, onde alguns fãs de países vizinhos largaram os empregos para assistirem a banda, na Colômbia, onde pessoas dormiam nas calçadas a espera do show. No Brasil, um Pastor separa a cultura da espiritualidade e mostra suas 162 tatuagens do grupo e nos EUA, a babação de ovo vem de músicos como Lars Ulrich (Metallica) e Kerry King (Slayer).

Com tamanha economia, a banda pôde passar por lugares que a banda nunca havia visitado e que não era bem vinda e lidar com o enorme choque de cultura como a Índia, a repressão religiosa no Chile e lugares onde a repressão política e policial são grandes e o clima tenso rondava o público e a banda, como na Colômbia, onde o público se desfazia da comida e de roupas pelo terror policial enquanto a banda sofria com a altitude e utilizava bombas de oxigênio para fazer o show.

Da rotina “Avião-hotel-palco”, Dunn tenta registrar momentos mais íntimos dos integrantes, mas não sai da obviedade para quem é fã do grupo. Talvez por exigências ou apenas falta de jogo de cintura com tamanha importância do registro, Dunn não conseguiu captar mais que momentos de preocupação com a turnê e com a saúde, apenas ensaiando conflitos completos e crises comuns na relação de uma banda.

Mas o que acentua essa importância que Dunn sentia diariamente nesta turnê, vem do público, sentado nas poltronas da sala de cinema. Eles cantam, batem os pés, levantam os braços e aplaudem efusivamente, como se estivessem realmente a poucos metros de seus ídolos. E todo amor é justificado por uma dedicação e atenção vinda da banda, que não costuma perder o bom humor e prefere esquecer-se de doenças e acidentes de trajeto antes de subir no palco.

E seguindo este calendário, cada cidade tem seu registro na edição didática, porém envolvente e bem estudada, com variedade de ângulos de câmera e takes curiosos do backstage, que não deixam de mostrar uma atmosfera de família. Esta que é certamente a escolha certa para uma banda durar por tanto tempo. O amor entre eles, o amor pela música e o amor pelos fãs.

Flight 666 é um merecido registro de um grupo honesto e que não tem medo de mostrar a sua importância não só para um gênero musical como o heavy metal, mas para a vida dos fãs, que por toda a exibição mostravam dentro e fora das telas e com a certeza que tal amor é recíproco.

4star

IRON MAIDEN: FLIGHT 666 (Idem, EUA 2009) Direção: Sam Dunn e Scot McFadyen Roteiro: Sam Dunn e Scot McFadyen Elenco: Bruce Dickinson, Nicko McBrain, Adrian Smith, Janick Gears, Steve Harris Duração: 112 min

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8 comments

  1. Vinícius P.

    Talvez por não ser fã do grupo (não conheço muito bem o trabalho deles) não tenho muita curiosidade para ver o filme, mas se tiver oportunidade talvez mude de opinião…

  2. Natália A.

    m/ hahahaha

  3. - cleber .

    Não gosto muito do som dos caras, então prefiro não me arriscar!

  4. pedro tavares

    Acho que é muito mais do que a música, é um filme sobre o amor pelo o que se faz e pelo o que se ouve também logicamente. De colher o que se planta, mas isso tudo está nas entrelinhas, já que a platéia me respondeu tudo em poucos segundos de filme…

  5. Andre Felipe

    Ainda não assiti, mas a curiosidade é tamanha… sou suspeito neste aspecto, pois sou fã de metal em geral.Depois dê uma passadinha no meu blog MILHA TURVAAbraços!!!!

  6. Anonymous

    kem não gosta de metal nao sabe oq eh musicaeu vo assisti esse filme nem que seja a ultima coisa que eu faça!!

  7. Pedro Tavares

    Não tenho pretensão em seguir algum rótulo e o metal não é o meu gênero preferido, apesar de me interessar muito pelo mundo do metal, o punk rock que definiu minha personalidade. Mas o Iron passa por qualquer fronteira de estilos, formações, gosto musical e etc. É um filme pra qualquer um.:)

  8. Anonymous

    eu estava no cinemark salvador 21/04 as 00:01, assistir,me emocionei e fiquei feliz em relação ao que vi. nao sou roqueiro apenas gosto de rock, a batida me faz bem, as guitarras em harmonia me levam para outra dimensao. POSSO NAO VER O IRON AO VIVO MAS O FILME ME PROPORCIONOU ALGO BEM PERTO.

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