Verônica

24 de fevereiro por Pedro Tavares | 4 comentários
O novo longa de Maurício Farias – que deixa obras mais comerciais de lado – ao mesmo tempo em que volta a tocar no assunto predileto do cinema nacional, o tráfico de drogas, a violência e a corrupção policial, consegue inserir uma trama de gênero, apostando na medida entre a dinâmica explosiva e momentos da ternura urgente entre Verônica e o menino Leandro, que perdeu os pais pelo esquema entre polícia e traficantes em um morro do Rio de Janeiro.
Verônica é uma professora de um colégio público e está prestes a virar coodernadora do mesmo, quando após um exaustivo dia de trabalho, Leandro espera os pais para buscá-lo. Verônica ao levá-lo em casa, percebe que os pais do menino foram assassinados e que o menino está jurado. O motivo para tal juramento e ponto de partida para a trama parece ser fantasioso demais, mas importa que ele se encaixa e se justifica em meio ao caos carioca.

Andrea Beltrão segura o filme em seus ombros com sua atuação, que oscila entre o desespero e a nova obrigação, em ser mãe de um menino que não é seu. Por meio de enquadramentos, o filme mostra que não é um filme sobre Verônica, sempre colocando objetos no centro da câmera, deixando Verônica e Leandro divididos. Divisão óbvia, pela idade, pela situação, mas juntos pela urgência de sobreviver a um sistema corrupto. A escolha de também manter a câmera como mais um personagem em certos momentos, acompanhando a professora e seu aluno de perto é inteligente, com delicados movimentos ao invés de usar gruas e bruscos movimentos para acentuar a beleza da cidade.

O thriller se desenvolve numa espécie de jogo de gato e rato, como o seu ápice mostra. Entre momentos de grande agonia e ousadia e outros de repetição total do roteiro, o filme consegue manter a atenção do espectador, algo que poderia ser perdido se as repetições fossem tão óbvias na história. Mas para um filme como esse, as possibilidades são sempre valorizadas, algo que aqui foi perdido. Temos dois caminhos a seguir, fazendo que a previsibilidade possa pairar sobre a mente dos espectadores após (sim, após!) a sessão.

Verônica (Idem, Brasil 2008)
Direção: Maurício Farias
Roteiro: Maurício Farias e Bernardo Guilherme
Elenco: Andrea Beltrão, Ailton Graça, Marco Ricca, Flavio Migliaccio.
Duração: 109 min


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4 comments

  1. Kau Oliveira

    Não sei pq, mas sinto que vou achar o filme horrível. Mas, por outro lado, acho que vaou achar Beltrão maravilhosa…Abs!

  2. Tangerina

    REALMENTE, assunto predileto do cinema nacional.. Recuso-me a assistir. Nao da gente, concordo com o amigo de cima, Beltrao eh otima atriz, mas isso nao eh suficiente pra me fazer interessar por um filme assim.Eh muita paciencia q vc tem hahaha nao consigo ser imparcial assim.

  3. pedro tavares

    Acho que a imparcialidade é importante, pois assim achamos novas pérolas, sem pré-julgamentos e pré-conceitos. Não só com filmes nacionais, mas musicos e atores que se aventuram na direção e etc. Acho que sempre verei com bons olhos a ousadia. Lógico que me deparo com muita coisa ruim, mas acho que não vou desistir tão cedo.

  4. Mesmo com todos os clichês e com a previsibilidade, este foi um filme que eu adorei. "Verônica" foi uma agradável surpresa. Não imaginei que fosse possível para o nosso cinema fazer um bom filme policial.

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