JCVD
07 de janeiro por Pedro Tavares | 5 comentários
Um astro com sua vida profissional e pessoal em crise resolve voltar para casa e tentar reconstruir tudo em sua terra natal. Estamos falando de ninguém menos que Jean Claude Van Damme e seu novo filme JCVD. Mas o que parecia a principio ser um dramalhão Mexicano vira um inteligente protesto e antes de tudo, um desabafo de um ator.
Van Damme interpreta a si mesmo, que participando filmes de baixo orçamento com produtores gananciosos e perdendo a guarda da filha nos Estados Unidos, volta a Bruxelas, na Bélgica, onde o ator nasceu e é feito de refém em um banco, mas para a mídia, ele é o mentor do seqüestro. A estética é uma cópia exata do que vemos nos filmes Europeus contemporâneos e a direção que consegue dosar com louvor a dinâmica de Guy Ritchie com momentos mais introspectivos como de Michel Haneke em Caché, por exemplo… E digo isso sem exageros, pois tudo é feito de propósito e totalmente inesperado. Pois até certo momento, vemos um bom filme sobre um seqüestro em um banco, sem muita relevância do porque Van Damme interpretar a si mesmo, apenas com questionamentos levantados sobre a veracidade e confiabilidade da mídia e o culto a imagem.
Até que Van Damme vira-se para a câmera e esquecemos a trama para um desabafo, mas sem se desligar por completo da história. Van Damme explica sua vida, seu desdém a posição de Hollywood aos atores, sua luta já vencida contra o vício das drogas e julgamentos vindos da mídia. O ator olha e mantém um diálogo direto com o espectador, usando a câmera como o veículo mais ágil e anárquico, algo que só o cinema pode nos oferecer.
A história é separada por tópicos, com nomes como “Resposta antes da pergunta” e “Ovo que cai em pedra”, para citar alguns, com a lógica referência dos métodos de construção de roteiros nos dias atuais e que ainda funcionam. Um jeito bastante irônico de se construir um filme para quem sempre foi de cair em clichês de filmes de ação, gênero que enquanto estava em alta, Van Damme tinha sua utilidade. Cada cena parece mostrar um desabafo e tudo feito com bastante precisão e até para a resolução da história, o deboche continua. E com a direção inteligente do Belga Mabrouk El Mechri, JCVD não é uma volta por cima e sim um grande dedo do meio para a indústria cinematográfica.

“JCVD” Belgica, 2008. De Mabrouk El Mechri com Jean Claude Van Damme, François Demiens, Zinedine Soualem, Karim Belkhadra.
Posts relacionados:
Tags: Críticas, Inéditos
Pedro, a primeira impressão que tive ao ouvir falar desse projeto foi que se tratava de uma obra egocêntrica, e sabe que lendo sua crítica, mantive essa impressão?! Principalmente qnd você fala que ele desabafa com a câmera… ele pode até ter sido bem intencionado, mas que soa egocentrismo, soa! Mas em todo caso, preciso assistir para uma opinião mais concreta.
Nossa! Não tinha visto que era o Van Damme na foto! o.OEle tá véinhu hein.Fiquei morrendo de vontade de assistir. Não só pq eu gosto do Van Damme, mas tbm pq me pareceu ser mt interessante. Ainda mais o fato dele interpretar a si mesmo.
Pedro, pode ser que assistindo eu passe a pensar de outra forma, dps que li o que você escreveu procurei mais coisas e vi até gente dizendo que tirando o começo canastrão, aquela tinha sido uma das obras mais sinceras que já tinha visto. Assim que assistir eu te digo o que achei.
É sem duvida um dos melhores filmes que já assisti! É acima de tudo ORIGINAL! O mais cinéfilo nunca viu algo parecido… Um filme que profundo e de uma maturidade… maduro demais para os próprios fãs de Jean Claud… Esqueçam Van Damme dos filmes de ação… não é o caso… este é um novo ator e deste novo já estou quase fã!