Fix

23 de janeiro por Pedro Tavares | 2 comentários
O diretor Tao Ruspoli veio dos documentários e aposta na ficção sem largar do seu berço, ou seja, a estética documental, com muito uso de câmera na mão e outros costumeiros detalhes do estilo, justificados porcamente na trama intensa de Fix, adotando a câmera como um visível – sim, visível – personagem, mas não deixa claro o porquê exato do uso, se foi por falta de recursos ou uma escolha pessoal.


O filme conta a história do casal de documentaristas Bella e Milo, que resolvem registrar a volta de Leo, irmão de Milo, para a clínica de reabilitação, após sair da prisão. Se Leo não voltar para a clínica até as oito da noite, será mandado de volta para a prisão. E a câmera do casal está sempre presente, fazendo desta uma cúmplice das loucuras de Leo pela Califórnia, numa trama com utilização de cortes bruscos a todo o momento, uma edição frenética e moderna, aliadas as belas paisagens contribuindo para a bonita e estudada fotografia de Christopher Gallo, que também foi feliz nas escolhas de locações, que são características demais, porém coloridas o bastante para agradar os olhos de qualquer um.

Leo (interpretado por Shane Andrews, talvez o único realmente à vontade em frente à câmera) precisa de cinco mil dólares para se internar e com o passar do tempo, vemos Leo e o casal entrando em roubadas atrás de roubadas para chegar ao valor limpo, pois é incrível como eles conseguem piorar a situação. No meio da intensa edição, os fatos parecem redundantes, pois Leo tem sempre os mesmos objetivos a cada lugar e a cada figura bizarra que encontra e tenta passar a perna. O pequeno aprofundamento na relação de Leo e Milo não consegue salvar a história de uma previsibilidade maior.

A escolha de ser um documentário falso, não justifica um orçamento baixo, talvez uma opção, uma ousadia do diretor, que na verdade para o roteiro não faz muita diferença e nem para o produto final. Fix é um frenético road movie, que deixa o ponto principal da trama – as drogas – para segundo plano com inteligência, recheado de ironia, humor negro, mas que por vezes parece ser pretensioso demais e cai na mesmice. Porém, mostra um potencial maior pela inteligente edição, a fotografia maravilhosa e a ousadia técnica.

“Fix” (Idem, EUA, 2008) De Tao Ruspoli com Shane Andrews, Olivia Wilde, Frank Alvarez, Tao Ruspoli. 90 min

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2 comments

  1. - cleber !

    Não tive a chance de ver ainda, e mesmo assim esse estilo 'documentário' não me agrada muito.

  2. pedro tavares

    Eu recomendo a ti, Cleber!

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