Doidão

03 de dezembro por Pedro Tavares | 2 comentários

Em seu segundo longa, o diretor Jonathan Levine volta a registrar seu mundo nada particular, recheado de drogas e rap em Doidão, filme que foi exibido em Sundance e no Festival do Rio. O filme se passa em 1994, quando Nova Iorque pulsa o hip hop, enquanto o rock chora a morte de Kurt Cobain. Luke Shapiro, um garoto que enquanto seus fones de ouvido gritam o rap, mantém contato com traficantes das redondezas e faz a atividade ilegal de passar drogas e não obtém qualquer tipo de reconhecimento pelos seus amigos de colégio e está em seus últimos dias de aula, prestes a se mudar.
Entre as dúvidas habituais dos jovens que estão prestes a entrar na faculdade, oscila junto o filme, que não sabe se entrega o seu roteiro a uma comédia ou para um drama mais informal, algo que vem conquistando bastante público nos últimos anos. E tal indecisão atrapalha o andamento do filme, que garante bons momentos como comédia, principalmente quando Josh Peck (Shapiro) se consulta com seu terapeuta, vivido por Ben Kingsley, que por muitas vezes segura o filme nos ombros (lembrando muito Dustin Hoffman em I Heart Huckabees), mas calça muitos problemas, sem tal aprofundamento, mas sem deixar seus personagens ilesos, o que acaba paralisando o andamento da trama.

Pelo cotidiano, Shapiro finalmente tem sua chance e se apaixona e não consegue fugir do que sua personalidade realmente mostra, sem se esconder atrás de bonés e drogas. Ele se envolve com a enteada de seu terapeuta e as relações com o mesmo se afunila, levando a uma interessante relação, onde a identificação é mútua e intensa, algo que leva o filme voar. O ponto mais cativante é que o filme não se calça em reviravoltas sobrenaturais como muitos filmes desse gênero usam, ele é calçado em um certo nível de realidade e vai assim até o seu fim. Infelizmente, o filme é ordinário, sem muitas inovações ou surpresas, a direção é mediana e sua técnica não ajuda, mas ele faz sua parte, serve como um passatempo sem que o espectador caia no tédio.

“Doidão”, EUA, 2008. De Jonathan Levine com Ben Kingsley, Josh Peck, Jane Adams, Mary Kate Olsen.

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2 comments

  1. Mary Heide

    que bacana esse blog;adoro filmes, ainda mais quando se tem as melhores sugestões por quem realmente entende ;)

  2. agora vou ser obrigada a ver!=D

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