Cashback

10 de dezembro por Pedro Tavares | Nenhum comentário

O diretor inglês Sean Ellis ganhou ânimo para adaptar Cashback, quando seu curta que leva o mesmo título foi indicado ao Oscar de melhor curta-metragem em 2004. Do curta, de apenas 18 minutos para os longos 102 minutos de filme, não deixa evidências da mudanças de roteiro e mantém o mesmo elenco e a inclusão do curta na íntegra. Mas na verdade o que ganhamos é uma trama completamente irregular.
Ben Willis, estudante de arte, leva um fora de sua namorada Suzy, que em poucos minutos de filme já consegue seguir com sua vida, ao contrário de Ben, que foi pego por uma implacável insônia, que faz seus dias renderem mais, mas também sobra mais tempo para pensar em Suzy e se afundar cada vez mais. Após algumas semanas sem dormir, Ben arruma um emprego na parte da noite em um supermercado, lá ele conhece novas pessoas, de personalidades completamente distintas, mas para Ben, o que realmente o fez mudar foi perceber que sua falta de sono o coloca em um delírio, que o faz parar o tempo e que ele pode caminhar em um mundo estático, preso em sua mente e assim, aprimorar seus dotes para a pintura e também para momentos de reflexão.

O que acusava ser uma versão mais adocicada e menos quebra-cabeça do já clássico filme de Michel Gondry nos primeiros minutos, acaba pegando um caminho completamente oposto quando vira uma comédia. Ao focar no dia-a-dia de Ben, desenvolvem-se os personagens que estão no supermercado, todos, dignos de um roteiro de American Pie, exceto a menina Sharon, no qual Ben se aproxima mais, mas mesmo assim, o roteiro se desvia do que seus primeiros minutos acusam. Existe o foco em situações forçadas e exageradamente longas para conseguir o riso do espectador, mas sem deixar de lado as crises de Ben, que acaba criando um contrapeso inútil para a trama, sem um humor refinado. E mesmo que tudo possa ser baseado na esperança, ela passa muito sutilmente pelo subtexto do filme.

Em seus últimos minutos a trama volta para sua proposta inicial, de forma mais interessante, sendo mais direto, sem que nada idealizado realmente venha virar fato, mas que com o passar dos dias de Ben, veremos uma moral que faça sentido. Tal proposta novamente é perdida quando os exageros fantasiosos e românticos juntos a uma direção comum se confirmam, exceto alguns bons planos bem estudados e complicados no meio de tantos outros ordinários.

“Cashback” Inglaterra, 2006. De Sean Ellis com Sean Biggerstaff, Emilia Fox, Michelle Ryan, Shaun Evans.


Posts relacionados:

Songs From the Second Floor
Sex Drive - Rumo ao Sexo
Poesia

Tags: ,

Leave a comment


Copyright © 2011 Cinema O Rama

Tema desenvolvido por João Ximenes - Powered by Wordpress

Assine o RSS