Última Parada – 174

11 de novembro por Pedro Tavares | 2 comentários
É justo dizer que o novo longa de Bruno Barreto (Dona Flor e Seus Dois Maridos) Última Parada – 174 merecia a vaga de candidato brasileiro a melhor filme estrangeiro? Não. Explicarei. É um filme que realmente toma o espectador, por talento do roteiro e das atuações, mas é pobre nos estudos dos fatos e possui muitos erros, o que provavelmente irá tirar as chances do Brasil no próximo ano.
Em 12 de junho de 2000, Sandro do Nascimento sequestrou o ônibus 174 que fazia a linha Central-Gávea, mas para explicar o que levou Sandro a entrar no ônibus, o diretor José Padilha (Tropa de Elite) já tinha feito e com muitos méritos, no ótimo documentário Ônibus 174. Para adaptar a história para uma ficção, o roteirista Bráulio Mantovani (Cidade de Deus, O Magnata, Tropa de Elite) conseguiu, na medida exata, dosar romance e fatos reais. Barreto escolheu um grupo de não atores para participar, o resultado foi positivo, mesmo com pouco tempo para o treinamento e envolvimento deles com a obra.

Sandro foi sobrevivente da chacina da Candelária, morou nas ruas da cidade, víciado e teve sua chance através de ONGs. O que vemos é cada fato destruindo seus sonhos, sua passividade indo embora, dando lugar á uma revolta natural, mas que abre uma lacuna para julgamentos de quem não vive e não conhece tal realidade. É lógico que a mensagem do longa tem cunho social, quando um rapaz que ultrapassando seus limites para ser ouvido, é taxado como vilão, mas que na verdade é vítima do falho sistema em execução, e quem fica imune a mensagem após o final do longa, provavelmente mora em outro país, algo que também pode atrapalhar na escolha da acadêmia.

Entre a realidade de Sandro, existe o jogo de encontros e desencontros dos personagens principais da trama, usando o Rio de Janeiro como coadjuvante desta narrativa criativa, com impressionante decupagem, obviamente romanceada, com muita competência por Mantovani. A direção, é ordinária. Não consegue realmente apontar um destino certo para a trama, criando personagens muito estereotipados. Mas, salvo pelo roteiro, consegue um resultado significativo.

Mas existem erros gritantes não só técnicos, mas como erros de quem acha que tem o público passivo. Existem erros que são comuns em filmes que foram baseados em fatos reais, mas existe um bom senso. E o filme passa dos limites do bom senso e da falta de estudos sobre as informações passadas. É um filme que consegue conduzir o espectador, com elementos que fariam deste um grande filme, mas que pelo vasto número de erros, tira o potencial de Barreto de levar a estatueta em 2009.

ÚLTIMA PARADA – 174 (Idem, Brasil, 2008) Direção: Bruno Barreto Roteiro: Bráulio Mantovani Elenco: Michel de Souza, Gabriela Luiz, Chris Vianna, Douglas Silva Duração: 110 min

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2 comments

  1. acadêmicos do salgueiro….SETE…E…MEIOboa "análise"aluno de escola pública pagando passagem foi foda!

  2. Tangerina

    Posso falar?Cinema brasileiro me decepciona às vezes. Com o sucesso de Cidade de Deus, surgiu esse tipo de filme. Realidade chocante, história da vida de bandido.Mania de 'bandido bom', ele só ficou 'assim' porque teve uma vida 'assim'.Bullshit..E quem teve vida assim e continua decente? Bah, não gasto dinheiro e nem tempo pra ver esse tipo de filme. Não interessa de quem é, quem são os atores e nem nada. E se você ainda tá falando que existem erros e está dando nota 7.. piorou.Se vai fazer um filme com esse tema manjado, então que faça algo perfeito.

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