Gomorra
Temos aqui, alguns caminhos narrativos que não tem obrigação de se encontrar, mas que não são trabalhadas o suficiente para localizar o espectador durante um bom tempo do filme. São caminhos desamarrados, algo que o cinema americano faz e que infelizmente nos acostumou, o que deixa no ar que muitas cenas do longa sirvam apenas como uma sequência solta, um mosaico de brutalidades, reflexos de uma política estreita e de uma parcela desfavorecida.
Um alfaite famoso da alta-costura que começa a trabalhar para os chineses, um homem que está responsável pelos pagamentos às famílias que tem membros da Camorra na prisão, um empresário que deposita lixo tóxico em local impróprio e sem cuidado com a saúde dos seus empregados, dois jovens que sonham em ser donos do tráfico de sua região, dois amigos que entram para “famílias” diferentes, todos em algum momento do filme são testados, colocados á prova de fogo. Um conjunto habitacional cerca a história da maioria dos personagens, assim, mesmo com diferença enorme de tempo para certos personagens, nos familiarizamos com cada um e seus coadjuvantes, que não são poucos.
Esteticamente temos bastante uso de luz natural, que pode remeter à Amores Brutos de Inarritu e por vezes, com luzes quentes, lembrando Traffic, de Steven Soderbergh e linguagem documental, o que eleva o nível de realidade de uma Italia, oculta para muitos, onde está o maior tráfico de drogas e armas do mundo e logicamente, mais sangrenta.
“Gomorra” de Matteo Garrone, Italia 2008. Com Salvatorre Abruzzese, Simone Sacchettino, Italo Renda, Maria Nazionale.
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Tags: Críticas, Festival do Rio 2008





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