Traquinagens
Andrzej Jakimowski comanda com muita competência o longa Traquinagens, em exibição no Festival do Rio desse ano. As sutilezas do roteiro, as analogias são inteligentíssimas, levantando muitas questões sobre as relações dos homens com emprego, animais, jogos, índoles e interesses com diálogos comparativos que chegam a ser bizarros e um subtexto, completo, não reto, mas que é de simples compreensão. Nada fica claro durante o primeiro ato e para quem não se interessar pela história, nada vai ficar claro até que o créditos subam. A analogia entre sorte, azar, acaso e pré-destino pairam por todo o filme, com a tal inteligente sutileza já citada.
As histórias paralelas também usam tal ferramenta e servem para situar a importância de cada personagem para Stefek e também para entendermos de rápida maneira certos objetivos sugeridos pelo roteiro.
A beleza da fotografia e direção de arte que não precisaram de tanto esforço já que a arquitetura da cidade e a beleza natural jogam a favor. A escolha de uma iluminação amarelada casa com o clima do filme. O capricho do filme é cativante, mas por vezes ele acaba caindo na mesmice, algo que pode tirar o espectador de jogo e que tem a difícil tarefa de voltar ao andamento do filme com a concentração de antes.
Por sorte em seu último ato, o filme volta ao fôlego inicial, com poesia e ações afiadas para um encerramento digno e interessante. Vale destacar a atução do garoto Damian UI, que intepreta Stefek. Se a amada Miss Sunshine realiza seu sonho quando participa de um concurso, vemos que o sonho da criança polônesa é muito mais profundo e instigante.
“Traquinagens” Polônia, 2007. de Andrzej Jakimowski com Damian UI, Ewelina Walendziak, Simeone Matarelli.
Posts relacionados:
Tags: Críticas, Festival do Rio 2008, Inéditos




